# Extrema direita conquista maioria no Senado para 2027

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- Published: 2026-10-05T12:17:56-04:00
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A extrema direita avançou no plano para dominar o Senado. Não foi com força suficiente
para garantir votos para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal,
o STF, sem apoio do Centrão, mas o grupo liderado por PL, PP, Republicanos e Novo
conquistou a maioria da Casa, que garante poder para tomar a presidência do Senado
em 2027 e dar a largada no movimento para destruir o STF.

Desempenho regional e bancada ampliada A onda de extrema direita no Senado foi avassaladora:
27 senadores do grupo foram eleitos neste domingo, 4 de outubro, e se somam aos 
16 que já têm mandato até 2030. No total, serão 43, ou seja, 14 a mais do que os
que exerciam mandato até 1º de agosto de 2026. O levantamento do Intercept Brasil
considera que pertencem ao grupo os políticos filiados ao PL, PP, Republicanos e
Novo.

Foi na região Sul que a extrema direita teve o melhor desempenho: ganhou todas as
seis vagas disponíveis no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná – se 
Deltan Dallagnol perder a vaga por decisão do TSE, o ocupante será Alexandre Curi,
do Republicanos, outro candidato do mesmo campo político.

Já no Centro-Oeste e no Sudeste, elegeu seis dos oito senadores possíveis em cada
uma dessas regiões – incluindo as duas vagas de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito
Federal e Mato Grosso do Sul. O grupo ainda teve desempenho regular no Norte (6 
de 14 vagas) e foi muito mal no Nordeste (só 3 de 18).

Disputas estaduais e impacto político Dos seis senadores da extrema direita que 
disputaram a reeleição, três venceram, todos do PL: Márcio Bittar, no Acre, Carlos
Portinho, no Rio de Janeiro, e Eduardo Gomes, no Tocantins. Foram derrotados Ciro
Nogueira, do PP do Piauí, Angelo Coronel, do Republicanos da Bahia, e Esperidião
Amin, do PP de Santa Catarina.

Com a maioria na Casa, a extrema direita não precisará costurar alianças com o Centrão
para conquistar a presidência do Senado, o que exige 41 votos, obtendo poderes para
fazer avançar processos envolvendo a punição de autoridades, como, por exemplo, 
dos ministros do STF e do procurador-geral da República.

Considerando que saiu das urnas neste domingo com 43 senadores, faltaram apenas 
11 para o grupo conquistar os 54 votos capazes de aprovar o impeachment de ministros
do STF – embora muitos eleitos de partidos da centro-direita apoiem a ideia e possam
se tornar aliados neste objetivo.

O levantamento do Intercept aponta que o Brasil elegeu 16 senadores de centro-direita–
filiados a MDB, Podemos, PSD, PSDB e União Brasil.

Muito enfraquecida e com suas principais apostas perdendo por larga vantagem, a 
esquerda conquistou somente 6 vagas, todas com o PT — 5 delas no Nordeste, seu maior
reduto eleitoral.

Nas outras regiões, teve apenas uma vitória, em Minas Gerais, com Marília Campos.
Já a centro-esquerda terá 5 senadores, representando PSB, Rede e PDT – 4 destas 
vagas no Nordeste e uma no Espírito Santo.

O primeiro teste da nova configuração do Senado será a eleição para a mesa diretora
em fevereiro de 2027, logo após o recesso do Congresso. O comando da Casa é estratégico
porque cabe ao presidente do Senado decidir, individualmente, se um processo de 
impeachment de ministros do STF terá seguimento ou não.

Em agosto de 2025, por esempio, a oposição disse ter conseguido 41 assinaturas para
levar adiante o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, mas o presidente
Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, não deu a largada no processo. Caso a
extrema direita comande o Senado, o resultado pode ser diferente.

O tamanho da força da extrema direita no Senado, entretanto, ainda depende do 2º
turno das eleições estaduais. É que Alan Rick, do Republicanos do Acre, está em 
meio de mandato – foi eleito em 2022 – e ainda pode assumir como governador. O suplente
dele, Gemil Junior, é filiado ao PSD, que é de centro-direita.

Outros cinco senadores da extrema direita em meio de mandato tentaram a vaga ao 
governo do estado. Três perderam em primeiro turno, todos do PL – Wilder Morais,
em Goiás, Wellington Fagundes, no Mato Grosso, e Efraim Filho, na Paraíba.

Por outro lado, dois venceram em 1º turno. Cleitinho, do Republicanos, ganhou em
Minas Gerais e, com isso, deixará a vaga no Senado para o suplente Alex Diniz, do
PL. Já no Paraná, Sergio Moro, do PL, saiu vitorioso – no seu lugar, assumirá o 
suplente Luis Felipe Cunha, que é filiado ao União Brasil, de centro-direita.

SP e RS contrariam pesquisas e não têm disputas acirradas Diferentemente da Câmara,
onde as vagas de deputado federal são calculadas proporcionalmente à população, 
no Senado cada estado tem três congressistas. E a análise regional da disputa política
mostra como a extrema direita deu passos firmes em 2026.

Enquanto aumentou sua representatividade no Centro-Oeste (de 5 para 10 senadores),
Sudeste (de 5 para 9), Norte (de 7 para 9) e Sul (de 5 para 9), houve redução apenas
no Nordeste, mas mínima (de 7 para 6).

As pesquisas anunciavam uma disputa marcada por duelos acirrados. Mas, nas urnas,
isso não se confirmou. Foi o caso de São Paulo, em que Guilherme Derrite, do Progressistas,
e André do Prado, do PL, derrotaram com facilidade Marina Silva, da Rede, e Simone
Tebet, do PSB. Agora, o estado tem três representantes da extrema direita, já que
Marcos Pontes, do PL, tem mandato até 2030.

Já no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro não concorreu à reeleição para disputar a
presidência. Mesmo assim, o PL demonstrou força nas urnas com Carlos Jordy e Carlos
Portinho – que derrotaram a tentativa da esquerda, em especial com Benedita da Silva,
do PT, de conquistar ao menos uma das cadeiras.

Outra disputa que se previa equilibrada era a do Rio Grande do Sul – mas não foi
o que aconteceu. Como Luis Carlos Heinze, do PP, e Paulo Paim, do PT, não disputaram
a reeleição, o estado elegeu dois novos senadores. Ubiratan Sanderson, do PL, e 
Marcel Van Hattem, do Novo, conquistaram mais de 30% dos votos e tiraram uma vaga
antes pertencente à esquerda.

No Norte, porém, fracassou a estratégia da extrema direita de transferir o domicílio
de Helio Bolsonaro, do PL, do Rio de Janeiro para Roraima. Mesmo prestigiado à distância
pelos aliados, o pupilo de Jair ficou apenas na 5ª posição, com 12,97% dos votos.

Por outro lado, em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro levou a melhor e garantiu uma
das vagas depois de ter deixado o Rio de Janeiro para tentar se eleger no Sul. O
filho do ex-presidente venceu o duelo com Esperidião Amin, do PP, que é uma das 
referências da extrema direita no estado e tentava a reeleição. Carlos conquistou
mais de 25% dos votos dos votos e ficou em segundo lugar, atrás de Carol De Toni,
também do PL, que era deputada federal e agora vai para o Senado.

O grande destaque da extrema direita na eleição, no entanto, foi Michelle Bolsonaro,
do PL. A ex-primeira-dama estreou nas urnas na disputa ao Senado no Distrito Federal
e venceu com mais de 29% dos votos. De quebra, teve a companhia da deputada federal
Bia Kicis, também do PL, que derrotou Leila do Vôlei, do PDT, que buscava a reeleição.

Por que a extrema direita mira o Senado A estratégia da extrema direita para dominar
o Senado começou em 2024 e sempre teve como objetivo principal fazer uma “limpa 
no STF”, como disse à época o deputado federal Gustavo Gayer, do PL de Goiás, que
foi eleito neste domingo e assumirá uma vaga no Senado em 2027.

“Dependendo do número de senadores que elegermos em 2026, não será apenas o Alexandre
de Moraes que vai sair da Suprema Corte”, afirmou o parlamentar em um post no Instagram,
em 2024.

Para chegar ao objetivo em 2027, o primeiro caminho é conquistar o comando do Senado
em fevereiro, o que permite não só dar a largada como votar a abertura de processos
no plenário, desde que tenha maioria simples – 41 votos. Para efetivar o impeachment
de um ministro do STF, no entanto, são necessários 54 votos.

Mais atribuições da Casa legislativa Mas não é só isso que atraiu a extrema direita
para o Senado. Afinal, a Casa tem outro importante e exclusivo poder: processar 
e julgar outras autoridades por crimes de responsabilidade – incluindo o presidente,
o vice-presidente e o procurador-geral da República, por exemplo – e até aprovar
uma eventual demissão do PGR antes do fim do seu mandato.

Os senadores ainda são responsáveis por aprovar ou vetar a escolha de autoridades
para ocuparem cargos públicos, incluindo ministros de tribunais superiores, ministros
do Tribunal de Contas da União, presidente e diretores do Banco Central, o próprio
procurador-geral da República, bem como titulares de outras posições importantes(
veja a lista completa).

Fora isso, a extrema direita tem interesses políticos com o domínio do Senado. Como
os senadores têm oito anos de mandato, os eleitos neste ano têm a chance de concorrer
na eleição de 2030 a cargos como governador ou presidente sem ter que botar a vaga
em risco – o que acaba sendo um trunfo para conquistar mais poder nos estados.

Outro fator é a aprovação ou rejeição de projetos, independentemente se Flávio Bolsonaro
ganhará ou não a Presidência da República. Como o sistema político brasileiro prevê
que as propostas legislativas tenham aprovação na Câmara e no Senado, garantir a
maioria dos senadores permite, na prática, barrar qualquer proposta em plenário.

Além disso, uma força expressiva no Senado assegura à extrema direita um espaço 
para colocar em votação pautas que não consegue atualmente fazer avançar na Câmara
dos Deputados por conta da complexidade de articular com uma quantidade maior de
políticos – afinal, lá são 513 deputados federais, número seis vezes maior do que
o total de senadores.
