# Como o peso do agronegócio explica a queda de votos de Lula no interior

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- Published: 2026-10-06T00:12:52-04:00
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O primeiro turno das eleições trouxe resultados inesperados para as principais lideranças
políticas do país, revelando uma retração na votação do atual presidente em comparação
ao pleito anterior. “Confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro
turno”, disse Lula ontem. Enquanto o petista registrou 3,3 milhões de votos a menos,
Flávio Bolsonaro obteve 5 milhões a mais que seu pai, Jair Bolsonaro, impulsionado
por fatores que incluem desde o cenário econômico até o apelo antissistema na política.

Impacto de escândalos políticos e avanço da oposição Analistas apontam que polêmicas
recentes não impediram a sobrevivência política de figuras investigadas, incluindo
o próprio Flávio, alvo de apurações sobre lavagem de corrupção e evasão de divisas
no financiamento de um filme. O parlamentar manteve contato direto com o ex-banqueiro
Daniel Vorcaro para viabilizar recursos.

Apesar de escândalos e investigações, o mapa eleitoral demonstra que o crescimento
da direita ocorreu de forma capilarizada. No Nordeste, reduto histórico do atual
governo, Flávio superou o desempenho anterior em quase a totalidade dos municípios
da região, fazendo a direita saltar de 27% para 30,9% dos votos válidos.

O peso do agronegócio e o perfil das cidades menores Um levantamento conduzido pelo
pesquisador Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público
da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP), detalha que a queda de votos de Lula se
concentrou fortemente fora das capitais, especialmente em localidades com forte 
dependência do setor agrícola.

“Onde o agro está em mais de 50% no PIB, no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em
relação a 2022”, aponta.

O estudo revela que o recuo proporcional foi mais intenso em municípios diminutos
com alto PIB per capita, proporção elevada de jovens e moradores brancos, e intensa
atividade no campo. O estado de Goiás destacou-se com as retrações mais expressivas
nesse perfil.

Demografia, abstenção e o futuro das urnas A pesquisa também descarta que a abstenção
recorde tenha influenciado de maneira decisiva a perda de votos do petista no panorama
nacional, com exceção pontual de Salvador. Da mesma forma, o peso da população evangélica
não apresentou alteração estatística relevante para explicar a oscilação entre 2022
e 2026.

Por outro lado, o avanço da oposição ocorreu justamente nos espaços onde o governo
perdeu espaço. “A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o
resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula 
perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9%
dos votos válidos”, detalha.

O cenário evidencia que pequenas flutuações no interior e o forte engajamento político
em zonas agrícolas redesenharam o mapa eleitoral brasileiro, redefinindo as bases
de sustentação dos principais grupos políticos do país.
