# Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

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- Published: 2026-10-07T00:49:08-04:00
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Em meio às acusações sobre a interferência das Big Techs na integridade eleitoral
brasileira, plataformas digitais continuaram veiculando anúncios políticos irregulares
e recomendando conteúdos de candidatos durante o período de resguardo do primeiro
turno das eleições de 2026.

O período de resguardo para a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral
na internet compreende as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores à votação,
conforme previsto no art. 29, § 11, da Resolução TSE nº 23.610/2019. A norma também
define, nos artigos 28 e 29, as formas de propaganda eleitoral na internet e as 
regras para o impulsionamento de conteúdo. 

O monitoramento identificou 568 anúncios irregulares na Meta, 18 anúncios ativos
no Kwai e um no Google Ads, além de ao menos seis campanhas fraudulentas que imitavam
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento também encontrou recomendações
orgânicas de conteúdos publicados por contas oficiais de candidatos no TikTok e 
no YouTube durante o dia da votação. Os dados são do Observatório das Big Techs,
realizado pelo NetLab UFRJ, laboratório de pesquisa sobre internet e redes sociais
vinculado à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O monitoramento foi dividido em duas frentes: o Observatório da Publicidade Política,
voltado aos anúncios pagos, e o Observatório da Recomendação Algorítmica, que analisou
os conteúdos sugeridos organicamente por TikTok, YouTube e Instagram.

## **Anúncios de TSE falso dizem que eleitor poderia votar pela internet**

Na frente de publicidade política, foram identificados os 568 anúncios veiculados
irregularmente na Meta relacionados a 15 candidatos, além de 18 anúncios ativos 
no Kwai e um anúncio ativo no Google Ads durante o período de resguardo. No Kwai,
os pesquisadores também encontraram 45 anúncios de 10 páginas de candidaturas cuja
data-limite de circulação havia sido alterada para permitir que continuassem ativos
no dia da votação.

Entre os casos identificados na Meta estão ao menos seis campanhas fraudulentas 
que se passavam pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou pela Justiça Eleitoral.
Segundo o NetLab, os anúncios eram veiculados tanto por perfis que imitavam contas
oficiais, utilizando a marca da Corte e nomes como “TSE Informa”, quanto por contas
aparentemente pertencentes a usuários comuns.

As campanhas promoviam a falsa ideia de que o TSE teria criado uma modalidade oficial
de “voto digital”, que permitiria ao eleitor votar remotamente, de casa ou pelo 
celular. Para dar credibilidade à fraude, os anúncios exploravam situações que poderiam
dificultar o comparecimento presencial às urnas, como fortes chuvas, problemas de
saúde e dificuldades de locomoção.

Ao clicar nas peças, o usuário era direcionado para sites externos que solicitavam
o CPF para supostamente iniciar a votação. Uma das mensagens identificadas no monitoramento
dizia: “Você não precisa de fila para votar. O TSE criou o voto digital para que
você participe desta eleição pelo celular, com total segurança e praticidade”. O
NetLab aponta que esse tipo de conteúdo poderia induzir eleitores a acreditar que
não precisariam comparecer presencialmente às suas seções eleitorais, além de criar
riscos relacionados à coleta de dados pessoais.

O monitoramento também identificou anúncios da loja Vinho B II Mito, que promoviam
produtos como vinhos, facas e bonés utilizando imagens de figuras políticas e manifestações
explícitas de apoio a candidaturas.

O boletim aponta problemas de transparência nas próprias ferramentas utilizadas 
para fiscalizar a publicidade. Na Meta, os pesquisadores encontraram inconsistências
entre os anúncios classificados como “inativos” e aqueles que permaneciam disponíveis
como ativos na biblioteca da plataforma. No Kwai, foram identificados rótulos como“
em pausa”, sem documentação clara sobre o significado desses status, além de divergências
entre os dados exibidos na plataforma e os dados que poderiam ser exportados para
análise.

## **TikTok “para você” recomenda conteúdos políticos no dia de votação**

Na segunda frente, o Observatório da Recomendação Algorítmica analisou como as plataformas
recomendaram conteúdos políticos e de candidatos no dia da votação. Segundo o NetLab,
a Resolução TSE nº 23.732/2024 estabelece regras sobre sistemas de recomendação 
e a propaganda eleitoral na internet. O monitoramento identificou recomendações 
de candidaturas pelo TikTok e pelo YouTube.

No TikTok, o feed “Para Você” apresentou a maior proporção de recomendações relacionadas
à política, com 53,8% das sugestões analisadas sobre o tema. A plataforma recomendou
18 vídeos únicos de sete contas oficiais de candidatos. Flávio Bolsonaro (PL) apareceu
em seis recomendações, seguido por Lula (PT) e Fernando Haddad (PT), com quatro 
cada. Jones Manoel (PSOL) e Gustavo Gayer (PL) tiveram duas recomendações cada, 
enquanto Nikolas Ferreira (PL) e Biólogo Henrique (MDB) tiveram uma cada.

No YouTube, a aba _Shorts_ apresentou uma proporção menor de conteúdo político, 
de 1,26% das recomendações, mas também continuou sugerindo conteúdos publicados 
por contas oficiais de candidatos. Foram identificados 17 vídeos únicos de seis 
contas de candidatos. Lula apareceu em quatro recomendações, enquanto Jerônimo Rodrigues,
Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad tiveram três cada. Nikolas Ferreira apareceu em
duas recomendações.

Já no Instagram, o monitoramento não identificou recomendações de conteúdos publicados
por contas oficiais de candidatos na seção Reels. Os conteúdos relacionados à política
representaram 1,8% das recomendações analisadas.

O NetLab aponta que a permanência dessas recomendações no dia da eleição pode produzir
assimetrias de visibilidade entre candidaturas. Ao mesmo tempo, os pesquisadores
ressaltam que as limitações de transparência das plataformas impedem determinar 
a dimensão exata dessas irregularidades e de seu alcance. Os resultados representam
apenas uma amostra do problema, e não o universo completo de anúncios e recomendações
que circularam durante o primeiro turno.
