# Cientistas em Viena e Pequim criam primeiros relógios nucleares do mundo

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- Published: 2026-10-08T02:45:11-04:00
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Cristal de fluoreto de cálcio em um suporte com um feixe de laser sondando os núcleos
de tório em laboratório da TU Wien, em Viena, Áustria 7 de outubro de 2026.
 T. 
Schumm, TU Wien/Imagem cedida via REUTERS Equipes científicas que trabalham separadamente
em Viena e Pequim desenvolveram os dois primeiros relógios nucleares operacionais
do mundo, em um importante avanço na medição do tempo, que promete amplas aplicações
práticas e oferece uma nova ferramenta para investigar a física fundamental. Os 
dois dispositivos representam a próxima geração de relógios atômicos, máquinas de
medição de tempo ultraprecisas criadas pela primeira vez em 1949. As duas equipes
de pesquisa, ao descreverem suas conquistas nesta quarta-feira em artigos científicos
publicados na revista Nature, afirmaram que os relógios nucleares têm o potencial
de superar os melhores relógios atômicos convencionais, mas ainda não o fazem. 📱
Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Eles são chamados
de relógios nucleares não porque sejam movidos a fusão ou fissão nuclear, como um
leigo poderia supor, mas porque o tempo é calculado a partir do monitoramento de
como a luz — um laser de alta potência — interage com o núcleo de um átomo. Ambos
os relógios nucleares são baseados em uma forma, ou isótopo, do elemento tório, 
chamado tório-229, aprisionado em cristais de fluoreto de cálcio no estado sólido.“
As duas equipes trabalharam de forma independente e conseguiram colocar em funcionamento
relógios nucleares de tório-229 ao mesmo tempo, utilizando abordagens experimentais
diferentes. Acho isso muito encorajador, pois mostra que o conceito é robusto e 
não depende de uma implementação técnica específica”, disse o físico Shiqian Ding,
da Universidade de Tsinghua, na China, que ajudou a liderar a equipe responsável
pelo relógio de Pequim. “A criação de um relógio nuclear era algo com que os físicos
sonhavam há quase 50 anos. Na minha equipe, temos trabalhado nesse objetivo desde
2008”, disse o físico Thorsten Schumm, da TU Wien, na Áustria, que ajudou a liderar
a equipe responsável pelo relógio de Viena. Schumm prevê aplicações para os relógios
nucleares em áreas como navegação por satélite, sincronização de transferência de
dados, topografia e metrologia, que é o estudo da medição e de suas aplicações práticas.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os relógios atômicos
convencionais medem o tempo usando lasers ou micro-ondas para fazer com que partículas
subatômicas chamadas elétrons saltem de um nível de energia para outro na camada
de um átomo, utilizando elementos como o césio ou o estrôncio. Os novos relógios
nucleares medem o tempo usando lasers para fazer com que partículas subatômicas 
chamadas prótons e nêutrons saltem de um nível de energia para outro dentro do núcleo
de um átomo, neste caso, o tório-229. A ideia é que o monitoramento dessas transições
dentro do núcleo atômico possa atingir níveis de precisão ainda maiores do que o
monitoramento nos elétrons, pois um núcleo atômico é muito menor do que a camada
que o circunda, onde residem os elétrons. Aperfeiçoando a tecnologia Schumm disse
que o relógio nuclear ainda está “longe de seu desempenho almejado”, com os pesquisadores
buscando aperfeiçoar a tecnologia. “O que é realmente interessante aqui: o relógio
de Viena possui cristais de tório ligeiramente melhores — maior concentração, melhores
propriedades ópticas –, enquanto a equipe de Pequim tem um laser mais potente. Assim,
apenas reunindo esses componentes, já podemos construir um relógio significativamente
melhor”, disse Schumm. Os melhores relógios atômicos convencionais podem funcionar
por bilhões de anos perdendo ou ganhando apenas um segundo. Essa ultraprecisão tem
sido vital para aplicações como sistemas globais de navegação por satélite e comunicações
pela internet, celular e fibra óptica. Os pesquisadores acreditam que os relógios
nucleares, uma vez aperfeiçoados, podem desempenhar essa função ainda melhor e podem
ser construídos de forma a serem menos volumosos e delicados. Os relógios nucleares
são promissores na investigação da física fundamental. A equipe de Viena demonstrou
que seu relógio poderia realizar um experimento de física de precisão ao tentar 
detectar a matéria escura, componente crucial do cosmos que, até o momento, escapou
à observação. O experimento, na verdade, não detectou matéria escura, mas o relógio
nuclear teve um desempenho comparável ao dos melhores relógios atômicos. “Isso abre
as portas para um universo físico totalmente novo”, disse Schumm. LEIA TAMBÉM: Espécie
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