# Economia do ES: Tradição do pescado movimenta rios, mar e tanques

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- Published: 2026-10-10T05:07:38-04:00
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A tradição milenar da pesca e a criação de peixes desempenham um papel fundamental
na economia e na cultura do Espírito Santo, conectando rios, mar e tanques de cultivo
em todo o território capixaba.

## Tradição indígena e os impactos ambientais

Na Aldeia Piraquê-Açu, em Aracruz, o cacique Kara’í Perú e a mãe, Keretxu Emdey,
realizam rituais tradicionais para abençoar as águas. No entanto, as transformações
no Rio Piraquê-Açu alteraram drasticamente a rotina das famílias locais, que precisaram
buscar alternativas como a piscicultura.

“O rio, para nós, é uma vida. É de onde a gente ‘tira peixe, tira outras coisa’ 
do rio pra poder alimentar nossa família. Deus criou o rio e a gente tem que cuidar
dele”

“Eu mesmo tenho dez anos que não pesco nesse rio. Mais de dez anos! A gente não 
come peixe desse rio mais. Eu tenho que comprar porque não tem como”

“O rio tá morto”

## A união da cadeia produtiva e o cooperativismo

Para fortalecer o setor pesqueiro e a aquicultura, entidades como o Sindipesca-ES
e cooperativas atuam na organização de pequenos produtores, garantindo escoamento
da produção e fornecimento de insumos essenciais.

“O pescador conhece a lua, o vento, o comportamento dos animais, os lugares onde
eles aparecem e o momento certo de sair para o mar. É um saber construído ao longo
de gerações. A pesca é uma cultura que está viva na mente do pescador. Por isso,
quando ele morre, acaba”

“A ideia é organizar uma cadeia que muitas vezes trabalha de forma fragmentada e
fortalecer quem está na ponta”

## Profissionalização e inovação na pesca

Novas gerações buscam aliar o conhecimento tradicional à formação técnica. Estudantes
de engenharia de pesca e produtores rurais investem na modernização da atividade
para garantir sustentabilidade financeira.

“A pesca é sofrida, é uma atividade bonita para quem vê, mas na prática é sofrida”

“O pescador sai para o mar sem saber exatamente quanto vai conseguir capturar e,
muitas vezes, sem saber se a venda da produção vai compensar os gastos da viagem,
como combustível, gelo e alimentação”

“Depois de formada, meu desejo é continuar trabalhando com a minha peixaria e levar
o conhecimento e as informações à classe, ajudar naquilo que for possível, porque
eu sempre digo que eu sou uma defensora da pesca. Então, eles sempre podem contar
comigo. E o que eu posso fazer para ajudar, seja na compra do pescado, seja na valorização,
eu tô aí”

## Crescimento da piscicultura em tanques

Em regiões como Domingos Martins, a criação de tilápias em tanques consolida-se 
como importante fonte de renda complementar, impulsionada pelo suporte de cooperativas
locais.

“Saí, estudei e agora a gente consegue aprimorar as demandas da nossa produção, 
fazer com que seja mais produtivo e lucrativo”

“Quando chega o momento da despesca (tirar o peixe do tanque), é preciso retirar,
pesar, resfriar e transportar os animais rapidamente. É um dia de trabalho pesado,
mas também de comemoração. A gente reúne umas 12 pessoas. As redes são puxadas, 
os peixes são colocados nas caixas, pesados e insensibilizados no gelo antes de 
seguirem para o processamento. É uma festa”

“Quando a gente precisa de comprar ração por fora, o custo acaba ficando um pouco
mais elevado, porque você tem que comprar e pagar à vista. Então, com a cooperativa
a gente compra pra pagar no final do ciclo, a gente paga com a venda do próprio 
peixe”

“Não somos só tilápia, não. A gente trabalha com vários outros produtos, como citros,
lojas para atender nossos cooperados e alimentação escolar. Nossa tilápia atende
ao mercado do Espírito Santo, mas também no Rio de Janeiro e em São Paulo”

## Dados do setor no estado

Com milhares de profissionais registrados e apoio governamental por meio de editais
e financiamentos, a atividade busca novos horizontes de modernização.

“Uma coisa é um produtor ou um pescador ir lá individualmente fazer uma aquisição.
Outra coisa é ele estar organizado e fazer uma grande aquisição via cooperativa.
Ele consegue descontos maiores. Ou seja, com o cooperativismo, dá escala para se
vender e dá uma dimensão para se comprar. Você ganha tanto na venda quanto na aquisição
dos insumos necessários à pesca”

O futuro do setor no Espírito Santo depende da harmonia entre a preservação ambiental
dos recursos hídricos, o fortalecimento da pesca artesanal e o avanço tecnológico
da aquicultura comercial.

“É um canto que a gente pede lá na Casa de Reza. Com o coração mesmo que Deus vai
ouvir esse canto que eu fiz para ele. Tá? É um canto de benção para os rios, para
os mares, para os peixes que Deus vai olhar para nós todos, inclusive. E abençoar”
