# Sexo na terceira idade: médicos admitem tabu no consultório

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- Published: 2026-10-11T04:02:07-04:00
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A discussão sobre a intimidade na maturidade ganhou destaque em um concorrido evento
voltado para a geriatria, evidenciando que a população idosa continua ativa e interessada
em manter relações sexuais, embora ainda enfrente barreiras significativas de comunicação
com profissionais de saúde.

## Estatísticas da atividade sexual na maturidade

Levantamentos apresentados durante o encontro demonstram que a porcentagem de pessoas
sexualmente ativas varia conforme a faixa etária: 73% entre 57 e 64 anos, 53% entre
65 e 74 anos, e 26% entre 75 e 85 anos. Dentro deste último grupo, mais da metade
mantém frequência de duas a três relações mensais.

Apesar desses índices expressivos, a maioria dos indivíduos com mais de 65 anos 
relata desconforto ao abordar o tema com médicos. Pesquisas indicam que apenas uma
parcela minoritária discute o assunto espontaneamente, embora desejassem que o profissional
tomasse a iniciativa para que a questão integrasse a rotina de atendimento.

## Abordagem médica e saúde física

O geriatra Gustavo de Jesus Monteiro destacou a necessidade de romper as barreiras
internas da medicina. “Precisamos abrir essa porta. A conversa tem que fazer parte
da rotina do consultório e da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), assim como quando
houver um novo diagnóstico, cirurgia pélvica, alteração ou ajuste de medicamento.
Há pacientes que deixam de tomar um anti-hipertensivo ou antidepressivo porque a
medicação interfere na sua vida sexual. Se não existe uma relação de confiança, 
o médico pode achar que há uma baixa adesão ao tratamento”, afirmou.

Segundo o especialista, a principal restrição para a prática não é a idade em si,
mas sim condições de saúde física e mental, ressaltando que alterações decorrentes
do envelhecimento podem ser tratadas com intervenções adequadas, revisão de medicamentos
e adaptações na rotina íntima.

## Prevenção de infecções e o papel da psicologia

A infectologista Thelma Flosi alertou para a importância de debater a prevenção 
de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) sem preconceitos. “É preciso perguntar
sobre os hábitos sexuais com naturalidade e apresentar as formas de prevenção. Os
dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de detecção de Aids entre 2014 e
2024 caiu em todas as faixas etárias, com exceção daquela acima de 60 anos”, enfatizou.
Para isso, recursos como DoxiPEP, PEP e PrEP estão disponíveis conforme as indicações
médicas.

Complementando a discussão, a psicóloga Ana Cristina Nunes Barbosa ressaltou a necessidade
de tratar o assunto com maturidade, evitando a infantilização da pessoa idosa. “
Temos que romper com o tabu e a infantilização, que torna idosos assexuados, e debater
o tema de forma madura e natural, com foco na autonomia, na saúde e no prazer. O
constrangimento em esclarecer as queixas se dá, muitas vezes por falta de informação
e formação adequada para seu uso na prática”, discorreu. A especialista também sugeriu
abordagens mais empáticas na anamnese para facilitar a comunicação entre médico 
e paciente.
