# Fim da escala 6×1 divide sindicatos e indústrias no Brasil

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- Published: 2026-10-15T15:47:41-04:00
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O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC do fim da 6×1 na noite de ontem
com 75 votos a favor e apenas um contrário. O texto aprovado determina a transição
para a jornada máxima de 40 horas semanais e o descanso de dois dias por semana.

## Reações divergentes do mercado de trabalho

Enquanto os sindicatos que representam trabalhadores comemoram o fim da escala 6
×1, as entidades empresariais lamentam a abolição da jornada e cobram do Congresso
Nacional a revisão da proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada na noite 
desta quarta-feira (14). A Central Única dos Trabalhadores (CUT) saudou o fim da“
massacrante escala 6×1” e a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para
40 horas semanais como uma vitória “maiúscula da luta, do suor e da organização 
da classe trabalhadora brasileira”.

“[A aprovação] marca um divisor de na superação de um modelo arcaico e cruel que
suga as energias de quem realmente trabalha e produz a riqueza desta nação”, afirmou
a entidade, em nota.

Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reclamou que a PEC representa
um “retrocesso” para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, pediu que o Congresso revise a aprovação da 
PEC 221/2019 “após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da 
alta inflacionária”.

“Acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando
encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, disse o representante.

## Impactos econômicos e cálculos de custos

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que representa
as empresas, lamentou a discussão do tema “em pleno período eleitoral”.

“Mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação
criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade
das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo”, escreveu,
em nota, a entidade patronal.

A CNI calcula que a redução da jornada aumenta os custos de produção em até R$ 267
bilhões, com queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação média de 6,2%.
Estudos têm divergido sobre impactos no PIB e na inflação do fim da escala 6×1. 
Enquanto algumas pesquisas registram amplos impactos negativos, outras apontam prejuízo
residual. Estudo do Ipea avalia que a redução da jornada terá um impacto de 1% no
custo total das empresas, em setores como comércio e indústria, chegando até 6,6%
nos setores da vigilância e segurança.

## Articulações políticas e regras de transição

A oposição, que era contrária à aprovação da matéria, mudou de lado após o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema no plenário. Em entrevista 
à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou
que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar a PEC 12/2026, que prevê um contrato“
por hora trabalhada”.

Também por meio de nota, a Força Sindical destacou que o “diálogo democrático” com
todos os segmentos da sociedade conquistaram a aprovação da PEC do fim da 6×1.

“A medida beneficiará milhões de pessoas pelo país, que poderão contar com mais 
tempo para cuidados com a saúde, convivência com a família, formação, lazer, ou 
seja, para usufruir como melhor lhe convém”, escreveu Miguel Torres, presidente 
da central Força Sindical. Torres acrescentou que estudos e experiências internacionais
demonstram que a redução da jornada tende a elevar a produtividade, qualificar o
tempo de trabalho e gerar novos postos de emprego.

O texto da PEC que acaba com a 6×1 prevê descanso remunerado obrigatório de dois
dias por semana, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz 
a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição
total de 14 meses. Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional
as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para o máximo
de 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida
para 40 horas semanais.
