# O segredo biológico de Jonathan, a tartaruga de 194 anos

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- Published: 2026-10-17T08:17:26-04:00
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Com impressionantes 194 anos de idade, a tartaruga-gigante Jonathan detém o título
de animal terrestre mais longevo do mundo. Contemporâneo de Charles Darwin e sobrevivente
de duas guerras mundiais, além de pandemias como a covid-19, o réptil teve sua genética
investigada por uma equipe internacional de cientistas para decifrar os mecanismos
biológicos por trás de sua longevidade extrema.

História e chegada a Santa Helena O famoso exemplar pertence à espécie das tartarugas-
gigantes-das-Seychelles (Aldabrachelys gigantea hololissa). Nascido por volta de
1832, o animal foi levado das Ilhas Seychelles para a ilha de Santa Helena em 1882.
A viagem ocorreu como um presente para Sir William Grey Wilson, recém-nomeado governador
daquele território britânico ultramarino no Atlântico Sul. Naquela época, a tartaruga
já contava com cerca de 50 anos de idade e, desde então, habita os jardins da residência
oficial do governo local.

Métodos de investigação científica Para compreender esse recorde de longevidade,
pesquisadores de instituições dos Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha
realizaram análises detalhadas. O material genético de Jonathan foi obtido por meio
de raspagens na bochecha e de coletas de sangue feitas pela boca, após o animal 
ser atraído com alimento para abrir bem a mandíbula. O estudo comparou esses dados
com amostras de outras quatro tartarugas da mesma espécie, abrangendo espécimes 
jovens e velhos. Os resultados completos foram publicados na revista científica 
Science Advances.

Variantes genéticas e proteção contra o envelhecimento O sequenciamento genômico
revelou que o réptil não exibe sinais de deterioração no DNA. Os especialistas identificaram
287 variantes genéticas exclusivas que mitigam os impactos do envelhecimento. Tais
variações regulam funções vitais do organismo, combatendo processos inflamatórios,
suprimindo o desenvolvimento de câncer, controlando a insulina e otimizando o reparo
celular.

O papel fundamental do metiloma Além do DNA, os cientistas examinaram o metiloma
completo de Jonathan, mapeando as marcas químicas que determinam quais genes permanecem
ativos ou inativos nas células. A análise da entropia da metilação demonstrou que
o “ruído” químico é extremamente baixo em genes associados à função mitocondrial,
ao reparo genômico e ao processamento de RNA. Essa estabilidade indica uma notável
resistência biológica ao desgaste temporal.

Perspectivas futuras para a medicina humana “Em Jonathan, os reguladores genéticos
envolvidos na produção de energia e no reparo do DNA permaneceram incrivelmente 
estáveis durante quase dois séculos, o que é notável, pois geralmente eles se deterioram
com o tempo”, aponta um dos autores, Justin Gerlach, pesquisador de ecologia de 
tartarugas-gigantes na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

“O genoma de Jonathan nos oferece um modelo de resiliência celular. Agora, nosso
objetivo é aproveitar esses conhecimentos evolutivos e traduzi-los imediatamente
em tratamentos práticos e acessíveis para as pessoas comuns”, destaca outro autor,
Stephen Clark, diretor da Fundação Kallel, que estuda os processos de envelhecimento.

Com uma transcrição genética de alta fidelidade e mecanismos celulares preservados,
Jonathan continua a desafiar os limites biológicos do envelhecimento, oferecendo
pistas valiosas que podem, no futuro, beneficiar a saúde e a longevidade humana.
