# Karim Aïnouz estreia Rosebush Pruning no Brasil com elenco estelar

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- Published: 2026-10-17T07:56:39-04:00
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O aclamado diretor cearense Karim Aïnouz traz oficialmente aos cinemas brasileiros
sua mais recente empreitada internacional, **Rosebush Pruning**. A obra estreou 
no circuito nacional após marcar presença na 76ª edição do Festival Internacional
de Cinema de Berlim e passar pelo Festival do Rio.

Elenco de peso e bastidores A produção internacional conta com um timaço de estrelas
em seu elenco principal, reunindo nomes como Elle Fanning, Callum Turner, Riley 
Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya, Tracy Letts e Pamela Anderson. Em entrevista,
o cineasta explicou que a escalação fluiu rapidamente devido ao forte interesse 
dos artistas pelo roteiro assinado por Efthimis Filippou.

“Houve um apetite muito grande desses atores pelo material. A Elle almoçou comigo
e contou que tinha lido o roteiro (escrito por Efthimis Filippou) e adorado sua 
personagem. Ela sempre quis fazer alguém assim, que chega como uma espécie de estrangeiro
e provoca uma mudança. Para um ator, é muito estimulante interpretar personagens
que nunca interpretou. E acho que, para mim, também”, diz o diretor.

Dinâmica familiar e sátira Ambientada na Catalunha, a trama acompanha uma família
americana rica e excêntrica que lida com situações absurdas e moralmente questionáveis.
Os irmãos Jack (Jamie Bell), Ed (Callum Turner), Anna (Riley Keough) e Robert (Lukas
Gage) demonstram enorme superficialidade ao se importarem mais com roupas de grife
do que com o pai cego e dominador, vivido por Tracy Letts. Tudo muda quando Jack
decide deixar o clã para viver com a namorada Martha (Elle Fanning), desencadeando
eventos violentos.

O projeto nasceu de uma proposta do produtor Michael Weber durante a pandemia para
reinterpretar o clássico italiano **De Punhos Cerrados** (1965), de Marco Bellocchio.
Para Aïnouz, a narrativa dialoga diretamente com o isolamento dos ricos e com temáticas
de toxicidade patriarcal exploradas em seus trabalhos recentes.

“Quando a gente pensou no projeto, no começo, era quase como uma continuação de “
O jogo da rainha” (2023) e “Motel Destino” (2024). Porque são filmes com personagens
masculinos antagonistas, muito perigosos, tóxicos, sobre patriarcas”, pontuou o 
cineasta, acrescentando: “Em ‘Rosebush Pruning’, é uma história de como esse patriarca,
de fato, domina essa família como um presidente que domina um país. Então acho que
tem uma série de paralelos com o mundo que a gente está vivendo”.

Desafios e recepção do público Apesar do teor chocante e das sequências intensas,
o realizador destacou que não houve qualquer resistência por parte do elenco em 
relação às cenas mais ousadas do enredo.

“Quando o roteiro estava pronto, achei que nenhum ator iria querer fazer esse filme,
porque ele é tão maluco (risos). Mas foi justamente o contrário. Houve uma curiosidade
e um desejo muito grande de participar do projeto, porque era muito diferente de
tudo que os atores tinham feito. Então, não ouvi ninguém dizer ‘Não vou fazer isso’,
porque estava no roteiro. Acho que foi exatamente isso que os estimulou, assim como
a mim, a sair da zona de conforto”, declarou.

Estética marcante e próximos passos O longa também se destaca pela direção de fotografia
vibrante de Hélène Louvart e pela trilha sonora assinada por Matthew Herbert, elementos
que ajudam a preservar a assinatura autoral do cineasta em solo estrangeiro.

“Para mim, o que eu sempre tento proteger é a minha marca. Eu tenho um jeito de 
contar a história. Eu tenho um jeito de trabalhar a interpretação dos atores, tenho
um jeito de escolher música, tenho um jeito de escolher a cor”, ressaltou.

Com novos projetos internacionais já engatilhados, como **Neon River**, que terá
passagens pelo Japão, o diretor reforça que o idioma ou o país de gravação importam
menos do que a força narrativa dos enredos.

“Eu acho que é sempre estar sendo estimulado por histórias e personagens pelos quais
eu me apaixono, por histórias que eu acho que devem ser contadas. Então, fazer um
filme aqui, na Espanha ou na Inglaterra…”, concluiu. “Eu sempre estou procurando
algo que me instigue, independentemente de onde isso acontece e em que língua é 
falada”.
