# Pitty reprocessa chip do punk rock em álbum que também acena para a pista do pop contemporâneo e para o metal

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- Published: 2026-10-17T20:08:23-04:00
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Pitty lança o sexto álbum solo de estúdio nesta sexta-feira, 16 de outubro, com
13 músicas escritas com base em vivências bem pessoais da artista
 Jorge Daux / 
Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: “Pitty” Artista: Pitty Cotação: ★ ★ ★ 1/2 
♬ Aperitivo do sexto álbum solo de estúdio de Pitty, o single “Sobremesa” deixou
gosto meio agridoce no ar. Era um rock voraz de cepa punk que, embora saboroso, 
sinalizava retrocesso na discografia de artista que há sete anos lançara “Matriz”(
2019), grande álbum em que Pitty trocou o chip e expandiu a sonoridade, passando
a Bahia natal pelo filtro do rock. No mundo a partir de hoje, sexta-feira, 16 de
outubro, em edição digital e em LP e CD fabricados pela gravadora Deck, o álbum 
intitulado “Pitty” tem o mesmo sabor de “Sobremesa” em parte das 13 faixas, formatadas
com produção musical orquestrada por Rafael Ramos com a própria Pitty. É como se“
Matriz” não tivesse existido na trajetória fonográfica da cantora, compositora e
instrumentista baiana. Em essência, ao longo do álbum “Pitty”, a artista reativa
o chip do punk rock em músicas como a assertiva “Não à deriva”, faixa que tangencia
o stoner rock, e flerta com o peso do metal em “Desobediente”, faixa que termina
com toques da música oriental na produção feita com a adesão de Nave. Até aí tudo
bem. O álbum traz de volta a Pitty de outrora, mas com a experiência dos 49 anos–
completados em 7 de outubro – e com a maturidade de quem já atravessou problemas
de saúde, pariu uma filha já pré-adolescente e amargou uma separação cujas dores
são expiadas nos versos do blues-rock “Álbum de casamento”. “Eu vou botar no papel
tudo o que doer / É caminho pra absorver, trilha pra elaborar / … / Devolva minhas
senhas, eu confiei em você / A minha autoestima, não precisa devolver / Eu já tomei
de volta a posse do que é meu / Minha arte, meu corpo, minha maternidade / A minha
insanidade quem resolve sou eu”, determina Pitty, dando o tom altivo das letras 
do álbum, cujo repertório é inteiramente assinado pela artista, sem parceiros, com
o diferencial positivo de ter versos escritos a partir de vivências bem pessoais
de Pitty. Pitty faz acerto de contas com a mãe nos versos do rock-balada ‘Cuidada’
Jorge Daux / Pitty O corpo estranho no álbum “Pitty” é “Pileque de poeta”, faixa
feita com a adesão de Felipe Vassão (coprodução, programação e teclados) que acena
para a pista do pop contemporâneo, fora de sintonia com o tom do álbum. “Sobriedade
seletiva”, outra faixa formatada com a colaboração de Vassão, soa mais integrada
à atmosfera roqueira do álbum por harmonizar elementos de punk-disco e house. Com
letra endereçada à destinatária de identidade desconhecida, “Amiga,” também se diferencia
no conjunto da obra, soando como um rock em flerte fugaz com o universo do tecnobrega.
Curiosamente, o álbum se agiganta quando os beats se desaceleram e a guitarra de
Martin Mendonça perde a fúria que sustenta músicas como “Armadura”. Esse crescimento
é nítido em “Caminhada”, balada em que Pitty versa sobre sororidade feminina. “Não
estamos sozinhas, embora tentem dizer / Que a nossa única escolha é ceder ou morrer/
A gente se reconhece pelo rastro e pela voz / O que tentaram quebrar em ti dói em
todas nós / Não aceito que te calem, não aceito o teu fim / Cuidar de você é também
cuidar de mim”, ressalta Pitty. Já o rock-balada “Cuidada” é afetivo acerto de contas
de Pitty com a mãe. Nessa letra interessante, Pitty se dirige à mãe com a experiência
de ela, Pitty, já ser mãe de Madalena. “Hoje eu entendo / O que eu não tinha como/
Tantas vezes eu atrapalhei seu sono”, reflete Pitty na letra escrita de coração 
aberto para perceber conquistas, limites e motivações da mãe. No geral pautado pela
fúria incandescente das guitarras, sobressalentes em faixas como “Madame” e harmonizadas
com o baixo de Paulo Kishimoto, a bateria de Nico e os teclados de Rodrigo Tavares,
o álbum “Pitty” termina com “Nó”, rock sobre recomeço. “Pior que cair é nem tentar
andar”, sentencia a roqueira em verso de “Nó”. Por mais que o álbum “Pitty” deixe
a sensação de que a artista deu dois passos para trás, o fato é que Pitty tem se
mantido de pé, em movimento. Capa do álbum ‘Pitty’ Jorge Daux / Divulgação
