# STJ abre investigação e exonera servidor suspeito de vazar minutas de decisões a advogado amigo de Flávio

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- Published: 2026-10-17T16:36:46-04:00
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Fachada do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
 TV Gazeta O Superior Tribunal de
Justiça (STJ) abriu uma investigação e exonerou, nesta sexta-feira (16), um servidor
da área de tecnologia suspeito de vazar minutas de decisões do tribunal ao advogado
Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) As
trocas de mensagens constam em um relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado 
à Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com o relatório, em uma delas,
Humberto Fontoura Pradera, então servidor da área de tecnologia do STJ, repassou
ao advogado Willer Tomaz informações relacionadas a demandas internas do tribunal.
Ele contou que duas pessoas haviam sido designadas para tratar de determinado assunto
e afirmou que manteria o advogado informado. Outro episódio aponta que Pradera encaminhou
uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador, com um carimbo 
sobre a mesa. “O presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento
dos fatos, e um procedimento interno para apuração já havia sido instaurado desde
a semana passada. Como não se trata de concursado, o servidor em cargo de confiança
foi exonerado nesta sexta-feira (16)”, afirmou o STJ, em nota. O caso foi revelado
pelo portal UOL e confirmado pela TV Globo. “As medidas criminais estão em andamento
e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”, informou o tribunal.
Pradera ocupava uma posição de destaque no tribunal e exercia o cargo de secretário
de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI). Antes disso, também havia sido 
assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial do STJ, participando de 
projetos ligados à transformação digital, à inteligência artificial e aos sistemas
internos do tribunal. Em outra troca de mensagens que consta no documento, ao ser
questionado por Willer sobre “qual o número deles?”, Pradera respondeu que “essa
tá no REsp 2122969” e afirmou que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento.
Segundo os investigadores, a conversa mostra o compartilhamento de informações sobre
o processo, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos. Além de Pradera,
o advogado mantinha conversas com o subprocurador-geral da República Antônio Carlos
Simões Martins Soares (ele se aposentou de forma voluntária em março de 2026). O
relatório mostra uma planilha em que a PF compara o teor dos pareceres com o que
é recomendado por Willer ao subprocurador. Em alguns casos, os trechos são idênticos,
em outros a redação é semelhante à sugerida pelo advogado. Segundo a PF, em mais
de uma vez o posicionamento de Antônio Carlos seguiu as recomendações do advogado
na elaboração de seus pareceres. O documento ilustra o caso de um agravo em recurso
especial no qual parte da mensagem encaminhada por Willer aparece posteriormente
reproduzidas de forma literal ou praticamente literal em um parecer, com referências
ao desconto de quase 90%, ao valor do FII Eldorado, à exclusão de créditos considerados
ruins, aos laudos sigilosos e à atuação do administrador judicial. O relatório traz
outro caso de uma discussão prévia sobre tese relacionada à gestão de conta do espólio;
posteriormente, Antônio Carlos Martins Soares opinou pelo provimento. Willer Tomaz
O advogado Willer Tomaz, um dos donos do jato em que o senador e candidato à Presidência
Flávio Bolsonaro (PL) viajou, em janeiro do ano passado, é investigado pela PF na
Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em benefícios
do INSS. Em outra apuração, a PF investiga suposta lavagem de dinheiro por meio 
de jogos em uma casa de apostas. Ao todo, em 18 meses (de janeiro de 2025 a julho
de 2026), Tomaz apostou R$ 6,6 bilhões e teve um prejuízo de R$ 188,5 milhões. Os
dados foram informados pela defesa do advogado em um processo aberto contra a casa
de apostas Blaze, que patrocina o atacante do Santos, Neymar Jr, e que tinha contrato
com a influenciadora, Virgínia Fonseca. Nesta sexta-feira (16), a Justiça de São
Paulo negou um pedido de Tomaz de devolução de R$ 163 milhões perdidos em bets. 
O advogado acionou a 44ª Vara Cível de São Paulo para tentar reaver a quantia que
diz ter perdido em apostas online na Blaze, alegando vício em jogos e falhas da 
plataforma. Relatório da PF também mostra que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como“
usuário master” de uma conta bancária pertencente a uma empresa do advogado. Para
a PF, o cadastro dava a Flávio “acesso operacional relevante” à conta bancária e“
sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato
na empresa”. O que diz Willer Tomaz O advogado afirmou que não teve acesso indevido
a documentos e não interferiu em manifestações do Ministério Público Federal. Veja
a nota na íntegra: “O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso
irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público
Federal, bem como ter interferido em manifestações. Sua atuação sempre observou 
a legislação e as prerrogativas da advocacia, valendo-se exclusivamente das vias
institucionais e processuais legítimas. As insinuações divulgadas são infundadas,
distorcem o exercício regular da profissão e configuram desinformação. A defesa 
desconhece o relatório citado. Causa estranheza que um material sigiloso, ignorado
até mesmo pela defesa, venha a público de forma seletiva em pleno período eleitoral
e mencione terceiros sem nenhuma relação com os fatos investigados. Serão adotadas
as providências cabíveis para obter acesso ao relatório, demonstrar a improcedência
das alegações e identificar a origem do vazamento.” A reportagem não localizou os
demais citados pela PF.
