# Novo Desenrola: Fazenda espera até R$ 90 bilhões em dívidas antigas na primeira chamada a credores

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- Published: 2026-10-21T17:05:21-04:00
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O Ministério da Fazenda publica nesta quinta-feira o primeiro edital do Desenrola
3.0, uma chamada para que credores informem quanto têm em dívidas antigas de pessoas
físicas e microempreendedores individuais (MEIs) que aceitam vender ao governo. 
A estimativa inicial é que até R$ 90 bilhões em débitos sejam apresentados, segundo
o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que deu entrevista coletiva nesta quarta-feira.

A chamada é dirigida a bancos, outras instituições financeiras e fundos de investimento
em direitos creditórios (FIDCs), que compram carteiras de crédito. Eles terão cinco
dias úteis, a partir da publicação, para apresentar as dívidas com atraso de dois
a quatro anos e meio, separadas por faixa de renda dos devedores. — O chamado que
sai publicado amanhã (quinta-feira) é para os credores, não para as pessoas físicas
nem para os MEIs — afirmou Durigan. A manifestação funciona como habilitação, segundo
o governo. Só poderá disputar o leilão de compra, previsto para novembro, a instituição
que se apresentar agora, explicou o secretário de Reformas Econômicas da Fazenda,
Regis Dudena. Ao se inscrever, o credor também aceita de partida vender as carteiras
com desconto mínimo de 90%, o piso fixado pela medida provisória que criou o programa.
Pela conta do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, isso significa que
a compra de todo o volume estimado custaria no máximo R$ 9 bilhões à União. — Se
no limite esses R$ 90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida a gente saberia
que no máximo consumiriam R$ 9 bilhões para gente adquirir tudo — disse Ceron. O
governo, porém, não deve comprar tudo o que for apresentado. A ideia é fazer recortes
que obriguem os credores a competir por um orçamento limitado, o que, segundo Ceron,
pode elevar o desconto para 95%, 96% ou 97%. Durigan afirmou que o próprio edital
de compra pode exigir descontos acima do piso. — A depender do que a gente receber
nessas carteiras que os bancos e as instituições financeiras tenham, a gente pode
exigir desconto de 93%, 95% no leilão. E aí, no leilão, a depender de como correr
o leilão, eu posso conseguir descontos ainda maiores — disse o ministro. O Desenrola
3.0 foi criado por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em 25 de setembro, nas vésperas do segundo turno. A principal novidade é que
a União passa a comprar em leilão carteiras de dívidas não pagas e repassa integralmente
o desconto ao devedor. Podem entrar débitos bancários e não bancários de até R$ 
10 mil, pelo valor original, com atraso entre 720 e 1.645 dias. No lançamento, o
governo estimou em até R$ 150 bilhões o volume de dívidas elegíveis, com desembolso
de cerca de R$ 15 bilhões. Segundo Durigan, a Fazenda vai receber carteiras de todas
as faixas de renda, inclusive de devedores que ganham mais de cinco salários mínimos,
mas a prioridade são as menores. Se o volume apresentado nas faixas de menor renda
ficar abaixo do esperado, disse, o governo pode ampliar a compra, dentro das condições
fiscais. A pasta ainda não sabe quantas pessoas podem ser beneficiadas; o número,
segundo o ministro, só ficará claro quando os credores apresentarem as carteiras.
O anúncio de Durigan foi feito a quatro dias do segundo turno da eleição presidencial,
em 25 de outubro, em que Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL). Sem citar
o nome do adversário, Durigan contrapôs o programa à proposta do candidato de oposição,
que seria, segundo ele, “uma espécie de calote generalizado no sistema financeiro”.
Flávio prometeu congelar por seis meses as dívidas de pessoas físicas e por um ano
as de empresas. Questionado se o leilão ocorrerá independentemente do resultado 
das urnas, o ministro não respondeu diretamente. Disse que o programa é uma “política
de Estado” e que as conversas com o setor financeiro mostraram que dívidas mais 
antigas, algumas do governo anterior, ainda impedem o acesso ao crédito. Após analisar
as manifestações, a Fazenda vai publicar o edital de compra e definir o tamanho 
do leilão por faixa de renda. Durigan e Dudena falaram em realizar a disputa em 
novembro; o ministro admitiu que ela pode ficar para o início de dezembro, a depender
do volume de trabalho e de novas conversas com o setor.
