# Pediatras alertam para riscos de brinquedos com IA

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- Published: 2026-10-21T13:37:40-04:00
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Brinquedos que conversam com a criança, que são capazes de memorizar o que ela 
gosta e que até mesmo respondem com palavras de carinho e empatia fazem parte da
realidade de boa parte das famílias no Brasil e no mundo e exigem olhar atento por
parte de pais e responsáveis.

Diante do avanço da inteligência artificial (IA) e de sua aplicação em produtos 
lúdicos, a **Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre como
escolher e acompanhar os efeitos da aplicação desse tipo de tecnologia junto a crianças
e adolescentes**.

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Em nota, a entidade destacou que o objetivo do alerta é reduzir os riscos de exposição
indevida. Segundo o documento, sistemas de IA generativa, por exemplo, reconhecem
voz e imagem, recordam informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não
são inteiramente pré-programadas.

A SBP considera o tema urgente. 

> “Em setembro de 2026, ganhou repercussão o anúncio do Muse Charm, dispositivo 
> portátil da Meta comparado pela imprensa a um Tamagotchi com IA. Embora não seja
> um brinquedo para crianças, ele ilustra como agentes de IA passam a ocupar formas
> físicas, portáteis e personalizadas”, avaliou.

## Emoções

O alerta chama a atenção para o fato de que a IA, apesar de usar linguagem afetiva
ou empática, não é uma pessoa, e reforça que um brinquedo, uma vez conectado, pode
ter microfone, câmera e acesso integral à internet, **além de fazer coleta de dados
e oferecer mecanismos de personalização e de engajamento**.

Segundo a SBP, uma revisão publicada na revista _Pediatrics_ destaca o risco de 
crianças desenvolverem percepções equivocadas da IA como amiga ou cuidadora a partir
do contato com esse tipo de brinquedo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por sua vez, alertou para os
chamados _AI companions_ [companheiros de IA, na tradução literal]: brinquedos ou
produtos que estimulam conversas em relacionamentos ao serem usados por crianças
e adolescentes.

**“Apesar da aparência inofensiva, são sistemas de IA que podem obter informações
e causar prejuízos à saúde e dependência ao produto”, destacou a entidade.**

Para a SBP, a pergunta não deve ser apenas o que o brinquedo faz, mas também como
funciona, quais informações coleta, para que esses dados são utilizados e se ele
incorpora mecanismos adequados de proteção à criança e ao adolescente.

## Recomendações

No alerta, a entidade recomenda cautela na oferta de brinquedos com IA, sobretudo
os que utilizam IA generativa, mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais 
e simulam amizade, cuidado ou apoio emocional.

**“Quando essas funcionalidades não trazem benefício claro, ou quando o funcionamento
e os mecanismos de proteção carecem de transparência, a orientação é priorizar produtos
e brinquedos sem esses recursos”, alerta.**

Outra preocupação dos pediatras é compreender os efeitos à saúde mental e comportamental
de longo prazo dessas novas formas de interação, ainda não suficientemente mapeadas.

“A incerteza científica não significa ausência de riscos e reforça a necessidade
de proteção adequada à infância e à adolescência”, avalia.

O alerta propõe perguntas-chave para as famílias refletirem antes de comprar um 
desses produtos:

 * 1. O que essa tecnologia acrescenta à brincadeira?
 * 2. A criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo por ela?
 * 3. Como o produto funciona (se usa IA generativa e se possui câmera, microfone
   ou conexão com a internet)?
 * 4. A indicação etária e a supervisão parental estão claras?
 * 5. O que acontece com os dados da criança e do adolescente?
 * 6. O uso do brinquedo com IA expõe a criança a ações de perfilamento, publicidade,
   compras ou assinaturas associadas?
 * 7. Como a interação é apresentada: o produto simula amizade, afeto, cuidado ou
   apoio emocional?
 * 8. A criança entenderá, conforme a idade, que está interagindo com uma IA e não
   com uma pessoa?
 * 9. Qual lugar essa experiência ocupa na rotina, em relação ao sono, ao movimento,
   à brincadeira livre, à leitura, ao contato com a natureza e à convivência familiar?

A SBP destaca que informações essenciais devem estar acessíveis, incluindo se o 
produto possui câmera ou microfone; se precisa de internet; quais dados registra
e para quê; onde são armazenados; se são compartilhados com terceiros; se é possível
apagá-los; e quais recursos vêm ativados por padrão.

**“Se não estiverem acessíveis, a recomendação é não comprar e optar por outro produto
ou brinquedo.”**

## Fabricantes

Outro ponto importante citado no documento é que fornecedores e empresas são obrigados
a informar pais, responsáveis, crianças e adolescentes, independentemente da compra
ter sido efetuada, sobre riscos e medidas de segurança, incluindo privacidade e 
proteção de dados.

Diante de coleta de dados não informada, conteúdo inadequado, falhas de segurança
ou dificuldade de exercer seus direitos, a SBP orienta que as famílias podem:

 * pedir ao fornecedor informações, correção ou eliminação dos dados da criança;
 * desistir, em até sete dias do recebimento de compras feitas fora de estabelecimento
   comercial;
 * utilizar canais de notificação do fornecedor;
 * reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de
   Dados (ANPD).
