# Flávio Bolsonaro está nu como o rei da fábula

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- Published: 2026-10-23T12:33:43-04:00
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O mais bonito foi ver as manifestações nas ruas, algumas com centenas de milhares
de pessoas, como a que tomou doze quarteirões da Av. Paulista e coloriu Copacabana
de ponta a ponta. Foi a nossa vez de vestir o verde amarelo (com ou sem estrelinhas)
e sair em defesa do nosso país, ameaçado por uma extrema direita com uma tentativa
golpista no currículo e agora fortalecida pelo apoio subalterno dos Bolsonaro aos
planos expansionistas de Donald Trump.

A presença maciça da juventude — da UNE aos _fandoms_ — nos atos que se repetiram
em pelo menos 80 cidades brasileiras nesse 2º turno, trouxe um sopro de renovação
política quase inesperado em uma campanha pelo quarto mandato de um presidente de
80 anos de idade. Energia que se transformou em eficiência inédita da centro-esquerda
nas redes sociais, apesar das evidências concretas de jogo sujo por parte das Big
Techs e do TSE de Nunes Marques e André Mendonça para prejudicar a campanha de Lula.

Isso sem falar no episódio lamentável do governo Tarcísio de Freitas, com a PM repetindo
um artifício usado na véspera do 2º turno da primeira eleição presidencial direta
depois da ditadura — se em 1989, vestiu os sequestradores de Abílio Diniz com as
camisetas do PT para exibir para a imprensa dias antes do pleito; agora faz o mesmo
com suspeitos de tráfico de drogas detidos e fotografados ostentando camisetas novas
com dizeres da campanha de Lula e a sigla da associação dos professores. 

Mas, ao contrário das milícias digitais da extrema direita, a campanha da centro-
esquerda nas redes, privilegiou a empatia – foram muitos os posts autocríticos sobre
a arrogância ou falta de compreensão na comunicação com a direita – e se apoiou 
em fatos reais para apontar o risco da candidatura de extrema direita à soberania,
à democracia, aos direitos constitucionais e às conquistas sociais, a mais recente
delas, o fim da jornada 6×1. Tanto que o “dá um google” se tornou argumento para
a campanha de Lula.

**Mas essas pautas passaram longe ou foram deturpadas em manchetes de jornais e 
escaladas da TV durante todo o 1º turno**, quando as empresas jornalísticas se ocuparam
de vazamentos seletivos de processos que estavam com o ministro André Mendonça, 
engajado na campanha de Flávio, e de críticas ao governo Lula até em relação a medidas
de óbvio interesse público, como a proibição das bets (essa prejudicial aos seus
negócios).

Enquanto isso, **o jornalismo independente se unia na investigação da interferência
de Trump e das Big Techs** promovida pelo lobby bolsonarista, dissecava as relações
movidas a dinheiro e favores de Flávio e seu entorno político com Daniel Vorcaro,
revelava o impacto da influência nefasta de Flávio nos hospitais federais do Rio
durante a pandemia, apontava bens, favores e recursos sem origem clara e alertava
para o risco de eleger envolvidos com a recente tentativa de golpe, agora impulsionados
pelo “amigo” americano.

**Piauí, Intercept, ICL, Repórter Brasil e tantos outros veículos independentes,
como a própria Agência Pública, produziram conteúdos decisivos para entender o que
realmente está em jogo nestas eleições.** Iniciativas como o Revelando, uniram artistas
e jornalistas e deram sentido aos fatos levantados pelos jornalistas, e denúncias
embasadas foram transformadas em munição por líderes digitais para desnudar a real
personagem por trás da fala escorregadia de Flávio Bolsonaro. Celebridades, influencers,
personalidades de todos os campos do conhecimento se uniram ao movimento contra 
a extrema direita, engrossando o caldo anti-fascista e resgatando nossa identidade
política e cultural.

Se as empresas de jornalismo perderam o rumo na tentativa de equiparar bananas com
donuts, os eleitores engajados e informados pela imprensa independente fizeram questão
de mostrar **as diferenças fundamentais entre os candidatos**. Do Dark Horse às 
regalias de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, dos lucros 
astronômicos do escritório de advocacia de Flávio enquanto ele exercia o mandato
como senador às ligações perigosas com o advogado Willer Tomaz, jogos online e com
o careca do INSS. 

Revelações de arrepiar até quem toma Flávio pelo valor de face, como homem de família
e evangélico, caso de mulheres e religiosos conservadores. O que estarão dizendo
agora diante da mais recente revelação da Piauí, que coloca Flávio em uma lancha
no lago Paranoá em um churrasco com garotas de programa e lobistas de farmacêuticas
indianas em plena pandemia? Aposto que Michelle tem usado muito o WhatsApp.

Também vieram notícias de balançar os corações endurecidos de medo que acreditam
na extrema direita de Flávio para combater o crime. Logo ele, o homem das milícias—
a ponto de enviar uma emenda parlamentar para um miliciano envolvido no assassinato
de Marielle Franco —, além das relações perigosas de seus aliados políticos com 
o CV e o PCC.

Sem falar no caso da menina Ana Clara, assassinada há 6 anos por um PM, que se mantém
livre até hoje pela atuação de Flávio como advogado. Quem pode acreditar no candidato
diante da falta de compaixão com o sofrimento da família da criança?

**Medos e anseios compreendidos principalmente pela juventude na campanha de Lula
e explicados com clareza notável se converteram nas redes em defesa firme da democracia**,
da liberdade, do ensino público, do SUS, do Bolsa Família, do reajuste do salário
mínimo, dos direitos indígenas, das mulheres, da Amazônia e do futuro das novas 
gerações, com apoio das informações trazidas pelo jornalismo que não se deixou cegar
pela “imparcialidade”.

E a sociedade agora pressiona a própria imprensa, caso da exigência de checagem 
no debate da Globo, que acabou sendo aceita a contragosto pela emissora (vamos ver
como vai ser porque também há pegadinhas nesse caminho; a Lupa, Aos Fatos e o ICL,
entre outros, também farão checagem).

**Como tantos vêm dizendo e não posso deixar de falar, descobrimos em nós mesmos
uma energia e uma inteligência para resistir que será importante se Lula vencer,
e crucial se uma derrota nos colocar na mira da extrema direita e dos Estados Unidos.**
Por enquanto celebro a beleza da união entre jornalismo a serviço do interesse público
e a população que valoriza o diálogo e as conquistas sociais, frutos de uma história
tão sofrida que não pode ser esquecida. Boa votação no domingo!
