# Flávio Bolsonaro une a direita e Lula estaciona apoios

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- Published: 2026-10-24T05:21:29-04:00
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O candidato Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu consolidar um bloco sólido de direita
para a disputa do segundo turno marcada para o próximo domingo (25), ao passo que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final sem conseguir expandir
a coalizão que formou no pleito de 2022.

## Articulações políticas no segundo turno

A leitura predominante entre analistas é que o atual chefe do Executivo falhou em
atrair novas adesões de opositores tradicionais ou lideranças com visões heterogêneas,
cenário bem diferente do visto quatro anos atrás, período em que contou com o respaldo
do ex-mandatário da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do ex-presidente
do Banco Central Armínio Fraga.

Naquela mesma disputa de 2022, o petista assegurou o endosso de Simone Tebet (MDB),
que terminou a primeira etapa na terceira colocação, além de integrar Geraldo Alckmin(
PSB) como seu vice na chapa oficial.

“Em 2026, vimos Lula tentar reeditar essa frente ampla — e eu nem digo que ele não
conseguiu, porque os atores que estavam em 2022, em parte, também estão agora. É
o caso da Tebet. Mas em termos retóricos e simbólicos, a frente hoje não tem o mesmo
peso”, explica a cientista política Mariana Chaise, pesquisadora do CESOP (Centro
de Estudos de Opinião Pública).

## Diferenças de cenário e desgaste governista

O enfraquecimento dessa estratégia é atribuído, entre outros fatores, à condição
de incumbente de Lula, que hoje ocupa a cadeira presidencial.

Enquanto em 2022 a presença de Alckmin funcionava como um aceno democrático amplo,
a dupla governista atual carrega o ônus de prestar contas sobre as realizações do
mandato e de desenhar cenários para uma eventual reeleição.

“Além disso, seria importante para Lula conseguir o apoio de partidos que têm representação
no parlamento e nas regiões brasileiras. Isso poderia ser decisivo. Do outro lado,
Flávio Bolsonaro conseguiu uma parte importante de siglas do centro para a direita”,
acrescenta Sávio Cavalcante, professor de sociologia da Unicamp (Universidade Estadual
de Campinas).

## Apoios estratégicos de Flávio Bolsonaro

Para a rodada decisiva, o senador acumulou alianças expressivas, incluindo o endosso
de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na fase inicial, e de figuras como Ronaldo
Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que também disputaram o cargo.

No campo partidário, legendas como União Brasil, Progressistas, Republicanos, Novo
e Podemos oficializaram apoio ao parlamentar. O MDB registrou divisão interna: 17
diretórios estaduais optaram por caminhar com Flávio, enquanto os dez restantes,
concentrados nas regiões Norte e Nordeste, fecharam com Lula.

“Flávio conseguiu fazer algo que o bolsonarismo vem fazendo desde 2018, que é hegemonizar
o campo das direitas. E neste sentido, vale considerar inclusive o apoio do centro,
que se alia a ele por cálculos políticos e eleitorais de sobrevivência e viabilidade”,
diz Cavalcante.

“O esvaziamento do centro aconteceu em 2022 porque o PSDB declinou enquanto partido,
e também porque elementos que historicamente se vincularam a este campo foram para
a direita. É neste contexto que Flávio está organizando parceiros e partidos que
já têm em grande medida uma identidade com a agenda dele e, de maneira ampla, com
o bolsonarismo. O que aconteceu foi uma atração natural de candidatos que já tinham
pautas muito próximas”, finaliza Chaise.
