# Famílias buscam desaparecidos após terremoto na Venezuela

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- Published: 2026-10-25T06:19:24-04:00
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O barulho ensurdecedor de máquinas pesadas domina o cenário entre os escombros nas
áreas afetadas pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho. Para
Eilyn Solano, a rotina é marcada por mais de cem dias de espera em uma tenda montada
a poucos metros de torres residenciais que desabaram. Ela monitora o resgate de 
corpos na tentativa de localizar seu filho caçula, Jhoniel José Morales, de 11 anos.

Buscas independentes e falta de dados oficiais O balanço oficial mais recente, divulgado
em 24 de agosto, apontava 6.509 mortes. Contudo, o governo não forneceu um número
exato de desaparecidos quando consultado, o que levou os moradores locais a criarem
suas próprias contagens e redes de apoio. Com a ajuda de vizinhos e familiares que
fornecem suprimentos, os parentes de Jhoniel vasculharam fendas de edifícios e ajudaram
a resgatar mais de 17 corpos.

Um segundo vídeo obtido pela família mostra o menino descendo as escadas momentos
antes do sismo, o que renovou as esperanças e ampliou os rastreios para abrigos,
hospitais, ruas e cemitérios entre La Guaira e Caracas. A tragédia atingiu severamente
a família Solano, que também sobreviveu ao deslizamento em Vargas em 1999 e agora
conta com o apoio de voluntários para manter as investigações por conta própria.

Novos relatos de angústia nos escombros Em outras regiões de La Guaira, o vazio 
e o silêncio predominam onde edifícios vieram ao chão, embora a presença militar
tenha se tornado mais visível para a remoção de entulhos. No Residencias Caribe,
moradores criaram quadros informativos manuais para estimar quem ainda permanece
soterrado. É o caso de Nayibe Geromes, que procura pela mãe, Leida Mata, e de Angie
Valentina Sojo Andarcia, que tenta localizar o marido.

Diante das dificuldades, organizações de direitos humanos como a Cofavic denunciam
falhas graves na opacidade informativa e nos protocolos de identificação de corpos.
Segundo relatos, familiares enfrentaram processos desgastantes de reconhecimento
visual por meio de fotografias digitais sem apoio psicológico adequado.

Questionamentos e investigações em andamento A Defensoria do Povo afirmou que mantém
canais de atendimento abertos para receber denúncias, registrar desaparecimentos
e prestar orientações jurídicas por meio de equipes que atuam em acampamentos provisórios.
Enquanto órgãos oficiais e organizações não governamentais divergem sobre os protocolos
aplicados e o número real de vítimas — estimado por entidades independentes entre
10 mil e 20 mil —, o som das máquinas continua a ecoar.

Enquanto o cenário nas zonas devastadas passa por lentas transformações com a retomada
de comércios e escolas, centenas de pessoas continuam mobilizadas dia e noite. Para
esses familiares, a prioridade absoluta permanece a mesma: obter respostas definitivas
sobre o paradeiro de quem ainda não foi encontrado.
