# Mitos eleitorais caem por terra na disputa presidencial

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- Published: 2026-10-25T06:01:50-04:00
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As coligações partidárias perderam o protagonismo tradicional nas eleições estaduais
deste ano, mostrando que alianças extensas já não garantem vitórias automáticas 
nos principais colégios eleitorais do Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, o 
ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) articulou uma ampla rede de apoios, mas acabou derrotado
por Douglas Ruas (PL), que concorreu com uma chapa restrita a siglas menores como
Avante, Mobiliza e Agir.

O peso real das alianças partidárias A falta de eficácia das grandes coligações 
também ficou evidente em Minas Gerais, onde o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos)
conquistou o governo estadual apoiado apenas pelo Podemos, desbancando adversários
com bases muito mais robustas.

Especialistas apontam que a construção de identidades políticas e o apelo antissistema
superaram a tradicional lógica de distribuição de cargos e tempo de rádio e TV. 
Sobre essa dinâmica, o cientista político e professor Rodrigo Prando avalia:

— As alianças foram necessárias, mas não suficientes, e pesaram menos do que as 
identidades políticas, nesse caso, o lulopetismo e o bolsonarismo. As coligações
dão tempo de TV e estrutura partidária, mas não têm a capacidade essencial de transferir
voto que a gente imagina.

Igrejas e o novo perfil dos parlamentares Nas disputas legislativas, candidatos 
endossados pelas principais igrejas evangélicas enfrentaram reveses expressivos.
Nomes tradicionais da Assembleia de Deus e da Universal viram suas votações despencarem
ou amargaram derrotas nas urnas para a Câmara dos Deputados.

Em contrapartida, houve o fortalecimento de parlamentares conservadores com forte
presença digital, independentemente de vínculos formais com denominações religiosas.

Emendas bilionárias e a fidelidade local Mesmo com um volume recorde de R$ 61 bilhões
no orçamento, as emendas parlamentares tiveram impacto limitado na captação de novos
votos, registrando uma variação média de apenas 0,8% em comparação ao pleito anterior.

Segundo George Avelino, professor da FGV, o repasse funciona primordialmente como
instrumento de manutenção de bases políticas já estabelecidas:

— A emenda é paga para manter apoios e votos. Isso se dá, por exemplo, numa disputa
entre um desafiante e um incumbente, que já se provou nas urnas antes e que tem 
a confiança do partido. Assim, ele se torna poderoso do ponto de vista eleitoral
e tem mais chances de ganhar a eleição, mas não tem a vitória como algo garantido.

A força da máquina pública em questão O controle da máquina administrativa tampouco
assegurou a sobrevivência política de gestores no primeiro turno. Cinco governadores
que assumiram o Executivo recentemente perderam a disputa, reforçando que o capital
político pessoal ainda se sobressai diante da estrutura do Estado.

O desgaste das candidaturas alternativas e o voto útil O descontentamento com a 
polarização tradicional abriu espaço para um expressivo contingente de eleitores
independentes, mas a chamada terceira via registrou o pior desempenho desde a redemocratização.

A dinâmica das urnas continuou guiada pelo sentimento de rejeição e pela busca por
quem pudesse derrotar o adversário principal, consolidando a disputa entre os blocos
liderados por petistas e bolsonaristas.
