# Impactos do preconceito na mente foram debatidos no Neuro 2026

- Link: https://portalibnews.com/2026/10/25/por-que-e-fundamental-impedir-que-a-diferenca-seja-entendida-como-menor-valor/
- Published: 2026-10-25T03:46:39-04:00
- Author: 

Refletir sobre acolhimento e diversidade é essencial para o fortalecimento democrático.
Esse tema norteou a apresentação do psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe durante
o Neuro 2026. Com vasta experiência no cuidado a pessoas transgênero, o especialista
explicou de que maneira a vivência constante sob estresse provoca consequências 
neurológicas.

## As manifestações do preconceito

Durante o evento, o médico detalhou que as dificuldades se materializam de diversas
formas na rotina dos indivíduos. “Quando a diferença encontra o preconceito, há 
uma série de experiências negativas”, afirmou. Entre as manifestações citadas estão
o estigma, a discriminação, o bullying, a rejeição e as barreiras de acesso.

O especialista também destacou o peso psicológico dessas vivências: “Mesmo que o
episódio dure apenas alguns minutos, a expectativa de que se repita pode acompanhar
a pessoa todos os dias”. Além disso, ele defendeu a escuta ativa no ambiente clínico:“
A experiência vivida também produz informação científica, e escutar não significa
abandonar o método científico”.

## Estressores e impactos na saúde mental

O psiquiatra dividiu os impactos em estressores distais, que compreendem fatores
externos como violência e rejeição, e processos proximais, de caráter interno e 
relacional, a exemplo da hipervigilância e do estigma internalizado. Esses fatores
frequentemente resultam em ansiedade, depressão e isolamento.

O fenômeno conhecido como camuflagem, ou masking, também foi abordado. “Nesse caso,
o que ‘aparece’ é uma boa adaptação, ou alta funcionalidade, mas o que pode estar
camuflado é o esforço constante e a exaustão, além da ausência de suporte”, ressaltou
o médico.

## A relação entre neurodivergência e gênero

Outro dado apresentado por Rahe indica que a prevalência do Transtorno do Espectro
Autista na população geral fica entre 1% e 2%, mas sobe para 11% entre indivíduos
atendidos por incongruência de gênero. Enquanto pessoas neurodivergentes enfrentam
barreiras sensoriais e infantilização, a população LGBTQIA+ lida com a imposição
da cisheteronormatividade.

Para finalizar, o psiquiatra resumiu os caminhos possíveis para esses grupos e deixou
uma mensagem central sobre equidade: “Há uma via de risco que inclui discriminação,
estigma internalizado, masking, hipervigilância, exaustão, isolamento, ansiedade
e depressão. E uma via de proteção, com escuta, identidade positiva, adaptações,
acessibilidade, autonomia, bem-estar e participação. A verdadeira superação não 
é parecer menos diferente, é impedir que a diferença seja convertida em menor valor”.
