# Advogado vê sabotagem à democracia em falta de transporte de eleitores

- Link: https://portalibnews.com/2026/10/26/advogado-ve-sabotagem-a-democracia-em-falta-de-transporte-de-eleitores/
- Published: 2026-10-26T23:57:24-04:00
- Author: 

**A falta de transporte público para eleitores durante o segundo turno, neste domingo(
25), representa uma sabotagem ao processo democrático.** Esta é a avaliação do advogado
e professor de direito eleitoral Guilherme Gonçalves, integrante da Academia Brasileira
de Direito Eleitoral e Política (ABRADEP).

**Em entrevista à Agência Brasil, o professor cobrou punição rigorosa das autoridades
responsáveis pela disponibilização da frota e afirmou que a oferta de ônibus em 
dia de eleição deveria seguir a programação de um dia útil, como determina a legislação
eleitoral há décadas.**

### Notícias relacionadas:

 * Policial militar prende acusado de venda de voto no estado do Rio.
 * TSE retoma contagem de votos em todo o país.
 * TSE: seções eleitorais ainda abertas devem manter votação até as 19h.

“Isso não é uma sabotagem a um adversário, mas ao processo democrático. Todo mundo
está cansado de saber que, todo ano de eleição, a frota tem que ser colocada em 
dia útil”, afirmou Gonçalves, ao comentar as denúncias de problemas no transporte
de eleitores em diferentes cidades.

Em Salvador, por exemplo, onde o problema alcançou grandes proporções, centenas 
de ônibus ficaram nas garagens e o secretário municipal de Mobilidade Urbana da 
capital, Pablo Souza, teve a prisão decretada pela Justiça, mas está fora do país.
A cidade é administrada pelo prefeito Bruno Reis (União), aliado do candidato Flávio
Bolsonaro.

## Transporte

A disponibilização de transporte público durante as eleições é uma obrigação conhecida
pelas autoridades responsáveis pela mobilidade urbana. Segundo Gonçalves, a programação
da frota em dias de votação deve considerar a necessidade de garantir o acesso dos
eleitores às urnas, o que sugere que a sabotagem foi claramente premeditada.

**Gonçalves criticou justificativas apresentadas para a redução da oferta de ônibus
e classificou como inadmissível que questões operacionais, como a programação do
serviço ou a presença de adesivos nos veículos, sejam utilizadas para explicar a
falta de transporte.**

O advogado considera que os gestores envolvidos na tentativa de favorecer um lado
na disputa podem arriscar a legitimidade do processo eleitoral e como consequência
podem prejudica até mesmo quem queriam ajudar.

> “Quem tenta ajudar seu lado político com esse tipo de decisão são idiotas com 
> iniciativa que acabam conturbando o processo”, declarou.

**Gonçalves citou especificamente casos de Salvador e São Paulo e defendeu a apuração
das responsabilidades pela disponibilização insuficiente de veículos. Em relação
a Salvador, afirmou ter recebido um documento de constatação que apontaria a oferta
de uma frota equivalente a 35% do volume de veículos previsto.**

**Para o advogado, a eventual redução deliberada da oferta de transporte pode configurar
crime eleitoral grave.** Ele defende que prefeitos, autoridades públicas e demais
envolvidos sejam investigados e responsabilizados de forma exemplar em nome da democracia.

## Omissão do TSE

Guilherme Gonçalves também criticou a demora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
em apresentar uma resposta aos problemas. **Segundo ele, a Justiça Eleitoral deveria
ter tomado uma decisão ainda durante a tarde, diante das notícias sobre a falta 
de transporte que circulavam desde a manhã.**

> “O TSE demorou demais a dar uma solução. Tinha que dizer às 16h: prorroga ou não
> prorroga, e ponto final. Não deixar a coisa no ar. Nunca vi uma omissão tão grande
> do TSE, pelo menos desde 1985. É algo indesculpável, chegou ao ponto de as forças
> políticas terem que ir ao Supremo”, afirmou.

O especialista considera que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal
Federal (STF), de prorrogar o horário de votação até as 19h, chegou tarde demais,
quando diversas seções já haviam encerrado os trabalhos.

Na avaliação do advogado, a situação expôs uma falha grave na atuação institucional
da Justiça Eleitoral, Corte que tem poder de agir de ofício sem precisar ser provocada,
e pode gerar questionamentos sobre a legitimidade do processo, com pedidos de nulidade.

“Talvez tivesse que fazer uma CPI para apurar essa sabotagem”, ressalta o professor.

Gonçalves, que integra a Comissão Nacional de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB), ainda disse que a entidade cobrou manifestação das autoridades 
do Judiciário para esclarecer e tranquilizar a população.

Ele também alertou que uma falta de comando e transparência neste momento corre 
o risco de agravar a polarização política e pediu uma reação contundente das instituições
para preservar a tranquilidade e a confiança no processo democrático.
