# Tite no Botafogo: como corrigir a defesa e escapar do Z-4

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- Published: 2026-10-26T04:17:14-04:00
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O Botafogo enfrenta uma de suas temporadas mais desafiadoras no Campeonato Brasileiro
e caminha para fechar o ano com a sua pior marca defensiva desde a implementação
da SAF. Com 51 gols sofridos até o momento, a equipe alvinegra supera apenas a Chapecoense
neste quesito na edição de 2026 do torneio nacional. Mesmo com a chegada de Tite
ao comando técnico há pouco mais de um mês, a fragilidade atrás continua preocupando
os torcedores na luta contra o rebaixamento.

## O desafio de Tite e a instabilidade defensiva

Nos cinco confrontos disputados sob a batuta do ex-treinador da seleção brasileira,
o time carioca só passou ileso contra a Chapecoense, duelo que representou a única
vitória do comandante até o momento. No total, foram oito gols sofridos em cinco
partidas, resultando em uma média de 1,6 tento tomado por compromisso. A situação
é agravada pelas constantes mudanças forçadas na escalação, onde apenas Ferraresi
se mantém como titular absoluto, enquanto nomes como Arthur Chaves, Lucas Monzón
e o lateral Marçal improvisado precisaram compor a dupla de zaga devido a lesões.

## Análise dos comentaristas sobre a crise

Diante deste cenário delicado, especialistas apontam soluções urgentes para a reta
final do campeonato. A comentarista Belle Suarez destaca a necessidade de priorizar
a organização tática do setor defensivo para conter a fase ruim.

— Acho que o Tite ainda não teve o tempo necessário para fazer um raio-X em cima
do que ele tem à disposição. E se teve, ainda não conseguiu implementar. Acho que
o Botafogo precisa urgentemente começar a organização do seu time pelo setor defensivo.
É uma estratégia mais básica, mas para um primeiro passo, para apagar um incêndio
imediato… Me parece o mais importante, estancar a sangria.

— Ajustar o setor defensivo para que aí sim os outros setores consigam fluir melhor,
produzir mais. É um Botafogo que toma muitos gols, com a linha de defesa constantemente
desorganizada.

— E isso é, de certa forma, uma característica dos trabalhos do Tite. A gente, que
viu um Tite por muitos anos na seleção brasileira, sempre exaltou o trabalho sem
bola das equipes dele. Às vezes não era encantador, não era empolgante, mas sabia
ser muito pragmático. Eu acho que é desse pragmatismo que o Botafogo tá precisando
no momento.

— Pela forma que a gente se acostumou a ver o Tite pensando futebol, o setor defensivo(
precisa de mais ajustes) nesse momento. Claro que você tem que aumentar a produção
ofensiva, melhorar a pontaria desses jogadores do Botafogo. Tem que descarregar 
a responsabilidade que fica muito nas costas do Danilo.

— Mas eu começaria pelo setor defensivo. É beabá mesmo, parece um trabalho que precisa
ser feito de maneira muito embrionária. Botafogo precisa arrumar a casa. Na minha
ideia de futebol e naquilo que a gente já viu do Tite, arrumar a casa passa obrigatoriamente
por uma organização do setor defensivo. Outros setores podem render mais? Com toda
a certeza. É o que eu falei, tirar um pouco da responsabilidade do Danilo, que é
um cara realmente diferente nesse elenco. É natural que se espere muito dele, mas
nem sempre ele vai jogar muito ou estar num bom dia.

— Tentar aliviar um pouco essa responsabilidade em cima dele, do Danilo, e acho 
que naturalmente o Botafogo vai fluir um pouco melhor. Isso, com certeza, pensando
também na próxima janela de transferências, que a gente não sabe como vai ser. As
janelas do Botafogo são sempre surpreendentes, vamos dizer assim.

## A questão da competitividade no meio-campo

Por sua vez, o comentarista Paulo César Vasconcellos avalia que a postura da equipe
precisa mudar drasticamente, questionando algumas escolhas estratégicas do treinador
na formação do time titular.

— Equipes treinadas pelo Tite sempre foram muito competitivas, e está faltando competitividade.
Essa ausência de competitividade passa pela formação que ele tem levado a campo,
especialmente no meio de campo. Tite não pode ser refém de ideias que o consagraram,
como por exemplo o respeito à hierarquia. “Jogador de currículo, jogador de estatura”
tem que ser titular. Depende do momento pelo qual o jogador está passando. Ele mexeu
num ponto central de qualquer equipe, o meio de campo. Ao preferir Allan em detrimento
do Huguinho, o Tite impacta diretamente na competitividade da equipe.

— O outro ponto é que ele, como técnico, com a qualidade e com a cabeça que tem,
precisa desenvolver uma relação de cumplicidade com os seus jogadores. O Botafogo
é um time que não compete em campo. Essa competição passa pelo que diz o técnico
e pelo que acreditam os jogadores.

— O desafio é o jogo de quarta-feira contra o Remo. O Remo é uma equipe de baixíssima
pretensão no campeonato, mas tá jogando em nome da dignidade. Equipes assim são 
sempre perigosas. Ainda mais se você não competir contra elas, e o Botafogo não 
tem competido. O desafio é voltar à estrutura anterior de meio de campo, mexer no
ataque, colocando os jogadores mais assertivos, mas essencialmente transformar o
Botafogo num time competitivo.

Ocupando atualmente a 11ª colocação na tabela de classificação com 39 pontos, o 
clube carioca se prepara para os próximos compromissos no torneio. Depois de medir
forças fora de casa contra o Remo, o desafio seguinte será no estádio Nilton Santos
diante do Atlético-MG.
