# Família Bolsonaro fez a direita de refém e agora tem acerto de contas com a política e à polícia

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- Published: 2026-10-26T10:35:09-04:00
- Author: pontowebsd@gmail.com

Família Bolsonaro fez a direita de refém e agora tem acerto de contas com a política

A família Bolsonaro fez a direita brasileira de refém de seu projeto pessoal de 
poder. E a direita capitulou. Aceitou embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro
porque acreditou que ele tinha chances reais de vencer a eleição e devolver o grupo
ao Palácio do Planalto. Agora, depois de mais uma derrota nas urnas, chegou a hora
do acerto de contas. E ele se dará em duas frentes: na política e na polícia/Justiça.
Na política, a derrota de Flávio Bolsonaro coloca a direita diante de uma encruzilhada.
Seus principais líderes terão de decidir se continuarão subordinados aos interesses
da família Bolsonaro ou se serão capazes de construir um projeto de país, com lideranças
e candidatura própria, desvinculada da necessidade permanente de salvar politicamente
e judicialmente o ex-presidente e seus familiares. A direita democrática tem todas
as credenciais para fazer essa cobrança. E, sobretudo, para dizer à família Bolsonaro
que ela já teve duas oportunidades de comandar esse campo político em disputas presidenciais
e saiu derrotada nas duas. A questão central é que o bolsonarismo insiste em apresentar
um projeto de poder familiar como se fosse um projeto de país. A candidatura de 
Flávio tentou se vender como uma mudança, uma aposta no futuro, mas carregava consigo
o peso do passado e a perspectiva de retorno do grupo que governou o Brasil com 
Jair Bolsonaro. A derrota expõe os limites dessa estratégia. E dá aos líderes da
direita um argumento político para romper com a tutela da família Bolsonaro: enquanto
a prioridade for a sobrevivência política e judicial do clã, a direita corre o risco
de continuar refém de uma agenda que não é a sua. O segundo acerto de contas é com
a Justiça e polícia. A derrota eleitoral não encerra as questões judiciais que cercam
integrantes da família e seu entorno. Pelo contrário. Para além do resultado definitivo
do julgamento da trama golpista, que Flavio queri reverter se eleito, a situação
judicial de Eduardo Bolsonaro, que está fora do país, e investigações que alcançam
pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro, como Willer Thomaz, incluindo apurações
sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com o mercado de apostas.
Sem contar o próprio Flavio- com o DarkHorse. É fundamental distinguir suspeitas,
investigações e responsabilidades efetivamente comprovadas. Mas o fato político 
é que essas questões continuam existindo independentemente do resultado das urnas.
A família Bolsonaro, portanto, sai da eleição com dois resumos: perdeu a disputa
pelo poder e terá de continuar enfrentando as consequências jurídicas dos casos 
que envolvem seus integrantes e aliados. A derrota de Flávio Bolsonaro pode representar
uma oportunidade para que esse campo político se reorganize, apresente novas lideranças
e construa uma agenda que não esteja permanentemente condicionada ao destino de 
Jair Bolsonaro e de seus filhos. A família Bolsonaro teve sua chance. Duas vezes.
E perdeu. Agora, cabe à direita decidir se continuará refém de uma família ou se
pretende voltar a disputar o poder com um projeto de país.
