# Até onde vai a honestidade? Estudo revela como o “efeito maçã podre” se espalha em um grupo de pessoas

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- Published: 2026-10-27T20:49:14-04:00
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A ideia de que tomamos decisões de maneira inteiramente independente acaba de ser
contestada pela ciência. Um estudo publicado na revista **Proceedings of the Royal
Society B** revelou como o chamado efeito da “**maçã podre**” influencia o comportamento
coletivo.

Presenciar outras pessoas **violando regras** pode incentivar o observador a cometer
infrações ainda maiores, sobretudo quando as transgressões são graves e vêm de indivíduos
com os quais compartilhamos afinidades políticas.

Para investigar essa dinâmica, a equipe liderada por Lucas Molleman, da Universidade
de Amsterdã, **recrutou 750 participantes nos Estados Unidos**, divididos em partes
iguais entre republicanos e democratas.

Eles realizaram um teste on-line **repetido seis vezes,** que envolvia observar 
uma estrela cadente animada em uma sequência de **100 quadrados** para identificar
o de maior brilho.

As escolhas certas nem sempre eram as mais** rentáveis financeiramente**, pois selecionar
quadrados à direita da resposta correta gerava prêmios maiores, criando um incentivo
direto para descumprir as instruções.

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## O incentivo da transgressão

Após cada **escolha,** os voluntários viam a decisão de outra pessoa, a gravidade
de eventual infração cometida por ela e sua filiação política, podendo ajustar a
própria **resposta** em seguida. A disposição para transgredir já existia antes 
do contato social, pois 23% das escolhas iniciais envolveram o quadrado de maior**
recompensa.**

Porém, a observação do** comportamento** alheio mudou os passos seguintes: ver alguém
cumprindo as regras reduziu ligeiramente a tendência de trapacear, enquanto pequenas
violações a aumentaram de** forma discreta.**

O impacto mais **expressivo** ocorreu quando os participantes presenciaram infrações
mais flagrantes. Nesses cenários, eles passaram a desrespeitar as regras com mais
intensidade, chegando a **superar o nível** de transgressão que haviam observado.

Com base nesses dados, a equipe **realizou simulações** computacionais em grupos
maiores, mostrando que uma minoria disposta a intensificar as violações pode desencadear
uma escalada coletiva e fazer todo um grupo perder o controle.

## Identidade política e limites da influência

A identificação política desempenhou um papel central no** fenômeno**. O efeito 
do comportamento alheio mostrou-se mais robusto quando o** participante** compartilhava
a mesma inclinação política da pessoa observada.

O achado indica que a disposição para imitar atitudes depende não apenas da **ação
em si**, mas de quem a pratica, mostrando que a expressão **“maçã podre”** pode 
ser insuficiente para explicar o contágio social, já que a interpretação e a reprodução
da conduta pelos pares impulsionam sua disseminação.

Apesar dos achados, o estudo** não determinou um contágio automático.** Cerca de
um terço dos participantes seguiu as **regras de forma consistente,** mesmo abrindo
mão da maior recompensa. Além disso, os autores destacam que o experimento foi abstrato,
on-line e sem penalidades reais, **exigindo novas investigações** para cenários 
concretos.

Comentando a pesquisa, o professor **Stephen Reicher, da Universidade de St Andrews**,
ressaltou que presenciar tumultos não faz as pessoas participarem deles automaticamente,
lembrando que muitos observadores reagem ajudando na limpeza posterior.
