# Boi gordo sobe 1,94% em dois pregões na B3 e se aproxima de R$ 400/@

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- Published: 2026-10-27T14:34:10-04:00
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O contrato futuro do boi gordo para novembro de 2026 chegou a R$ 399,75 por arroba
nesta terça-feira (27), na máxima do dia e no maior valor histórico do contrato 
na B3 (Bolsa Brasileira).

A cotação supera o recorde anterior, de R$ 399,40 por arroba, registrado em 13 de
outubro. Por volta da atualização parcial do pregão, o vencimento avançava R$ 2,60
por arroba, alta de 0,65% no dia, e acumulava valorização de 1,94% em duas sessões.

Desde a mínima de fechamento registrada em 17 de março, de R$ 343,40 por arroba,
o contrato acumula alta de R$ 56,35, equivalente a 16,4%. O movimento ocorre em 
um cenário de preços recordes no mercado físico e expectativa de oferta restrita
de animais terminados nos próximos meses.

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Os ganhos também aparecem nos demais vencimentos negociados na bolsa. O contrato
para dezembro de 2026 avançava 0,44%, a R$ 398,80 por arroba. Para janeiro de 2027,
a cotação era de R$ 398,45, alta de 0,38%. Fevereiro de 2027 subia 0,38%, a R$ 397,80,
enquanto março de 2027 avançava 0,25%, a R$ 396,80 por arroba. Já o vencimento para
outubro de 2026 era negociado a R$ 384,70, com alta de 0,04%.

A curva de preços entre novembro de 2026 e março de 2027 permanece praticamente 
estável, com valores entre R$ 396,80 e R$ 399,75 por arroba. O comportamento indica
que o mercado futuro mantém a expectativa de preços elevados também no início do
próximo ano, sem sinalizar alívio expressivo na oferta no curto prazo.

O contrato para janeiro de 2027 já havia superado a marca de R$ 400 por arroba durante
o pregão de segunda-feira (26), quando atingiu R$ 400,25. O vencimento para outubro
de 2027 também chegou a R$ 402 em 14 de outubro. Entre os contratos com vencimento
em 2026, dezembro ficou próximo do patamar na segunda-feira, a R$ 399,80 por arroba.

**Mercado físico registra recordes**

No mercado físico, o indicador Cepea/Esalq para São Paulo alcançou R$ 381,40 por
arroba na segunda-feira (26), o maior valor nominal da série histórica, iniciada
em 1994. Já o indicador Datagro para São Paulo, referência para a liquidação do 
contrato futuro, estava em R$ 382,42 por arroba na sexta-feira (23).

Com o contrato de novembro a R$ 399,75, o prêmio em relação ao indicador Datagro
chega a R$ 17,33 por arroba, ou 4,5%. A diferença mostra que o mercado futuro negocia
a preços superiores aos observados no indicador físico de referência.

A distância entre os vencimentos de outubro e novembro também aumentou. Com o contrato
de outubro próximo do vencimento e negociado na faixa de R$ 384 a R$ 385 por arroba,
o diferencial entre os dois contratos chegou a R$ 15,05 por arroba nesta terça-feira,
ante R$ 12,60 na sessão anterior.

**Oferta restrita**

Na avaliação da Terra Mesa Agro, a valorização reflete a expectativa de oferta limitada
de bovinos terminados até o fim do ano. Entre os fatores apontados estão escalas
de abate curtas, retenção de animais, custos elevados de reposição e exportações
de bovinos vivos em ritmo forte.

A sustentação dos preços ocorre mesmo com a desaceleração das exportações brasileiras
de carne bovina para a China após o esgotamento da cota de importação destinada 
ao Brasil em 2026. O volume excedente está sujeito a uma sobretaxa adicional de 
55%, além da tarifa de 12% aplicada dentro da cota, elevando a tributação total 
para 67%.

Nesse cenário, a restrição da oferta de animais tem exercido pressão mais forte 
sobre as cotações do que a perda de ritmo das exportações de carne. A curva praticamente
plana dos contratos até março de 2027 reforça a expectativa de manutenção de preços
elevados nos próximos meses.

Para que o contrato de novembro sustente a cotação próxima de R$ 400 por arroba 
até o vencimento, o indicador DATAGRO precisaria avançar cerca de R$ 17 por arroba
em relação ao último valor informado. A evolução do mercado físico será, portanto,
determinante para a convergência entre os preços futuros e a referência de liquidação.

O mercado também segue atendo ao comportamento da demanda com o pagamento do 13º
salário e o aumento sazonal do consumo nas festas de fim de ano podem contribuir
para a demanda, mas os preços recordes da carne também podem limitar o poder de 
compra dos consumidores.

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