# Vacina da dengue: 3 milhões de jovens têm esquema incompleto

- Link: https://portalibnews.com/2026/10/27/dengue-3-milhoes-de-adolescentes-estao-com-vacinacao-incompleta/
- Published: 2026-10-27T05:20:09-04:00
- Author: 

Um levantamento recente revelou que **mais de 3 milhões de adolescentes** que receberam
a primeira aplicação do imunizante contra a dengue ainda precisam retornar aos postos
médicos para finalizar a imunização.

Como o esquema exige duas aplicações, a proteção total só é garantida após a segunda
etapa, que deve ser administrada três meses após a primeira. Os números foram divulgados
pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, durante a 28ª
Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, ocorrida no Rio de Janeiro.

Até o momento, o país contabiliza mais de 11,8 milhões de ampolas aplicadas, divididas
entre 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas. Além disso, aproximadamente
4 milhões de unidades repassadas às cidades seguem armazenadas sem uso.

O PNI destacou que os episódios da doença tendem a crescer durante os meses mais
quentes, um cenário que pode se intensificar nesta temporada por causa dos impactos
do El Niño.

“Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso
da **dengue**, o ideal é vacinar no período intersazonal [em que a incidência da
doença é mais baixa], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida”, complementou.

Gatti garantiu que o abastecimento para o público prioritário, formado por jovens
de 10 a 14 anos, está assegurado, mesmo com as limitações de fabricação da farmacêutica
japonesa Takeda. O acordo prevê a chegada de 9 milhões de ampolas em 2026 e outras
9 milhões em 2027.

Campanha em todo o território nacional

A estratégia de **imunização** começou nos municípios com maior incidência e expandiu-
se gradualmente, estando hoje disponível em todo o território nacional para a faixa
etária de 10 a 14 anos, grupo que apresenta maior risco de formas graves da infecção.

Eder apontou que a escolha dessa faixa etária ocorreu porque, na época da incorporação
pelo Sistema Único de Saúde, os dados de segurança eram mais sólidos para pessoas
de 4 a 16 anos.

“Olhando para o que o mundo e o Brasil produziram de conhecimento nos últimos anos,
nós já temos mais dados de segurança e continuamos olhando para isso com muita atenção.
A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, até um desejo, 
mas a gente precisa ter cuidado com as questões operacionais, orçamentárias e de
segurança”.

Situação do imunizante do Butantan

No que diz respeito ao imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, o diretor
esclareceu que a aplicação segue paralisada após a detecção de três ocorrências 
de infecção grave após a imunização, resultando em dois óbitos entre mais de meio
milhão de voluntários.

Embora a relação direta não esteja comprovada, a proximidade temporal acionou um
alerta de segurança na pasta da Saúde, motivando a suspensão preventiva em junho.

“Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares
se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete”, acrescentou Gatti.

Apesar da pausa, a tecnologia nacional continua sendo vista com otimismo pelas autoridades
sanitárias brasileiras.

“É uma tecnologia nacional, e a nossa ideia era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas
por ano, o que significa que, em três anos, nós conseguiríamos chegar a toda a população
elegível do país. Mas, antes, precisamos sanar todas as lacunas geradas a partir
desse sinal de segurança”, explicou o diretor do PNI.
