# Estudo diz que mudanças climáticas devem ser declaradas ‘emergência global de saúde’

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- Published: 2026-10-27T20:33:41-04:00
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O calor causou três milhões de mortes entre 2016 e 2023, afirmou um estudo de referência
que exige declarar as mudanças climáticas uma “emergência sanitária mundial” e torná-
las a prioridade dos governos.
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Canadá por políticas climáticas insuficientes Publicado pela revista médica britânica
The Lancet antes da COP31 de novembro, esta 10ª edição do relatório reúne 146 pesquisadores
de 30 países para avaliar as consequências das mudanças climáticas na saúde da população
mundial. “Os efeitos prejudiciais das mudanças climáticas sobre a saúde avançam 
mais rápido do que a resposta mundial a esses efeitos” e “estão até se acelerando”,
avaliou Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown ao apresentar o
relatório publicado na quarta-feira. “Por isso pedimos que as mudanças climáticas
sejam reconhecidas como uma emergência sanitária mundial”, acrescentou. Isso, segundo
ela, permitiria aos Estados criar “um dispositivo de intervenção de emergência” 
como o implementado pela Organização Mundial da Saúde em caso de pandemia. Esta 
iniciativa seria “não para reagir a uma sucessão de emergências, mas para implementar
uma resposta coerente a longo prazo”, explicou. 710.000 óbitos em 2023 O relatório
se concentra no período entre 2016, quando entrou em vigor o Acordo de Paris, que
buscou limitar o aquecimento global a 1,5 ºC em relação à era pré-industrial, e 
2023, o último ano com dados completos. Nesse período, as mudanças climáticas “causaram
cerca de 3 milhões de mortes relacionadas ao calor” no mundo. Apenas em 2023, um
recorde de 710.000 óbitos pode ser associado ao calor, o que supera o número de 
mortes por malária ou HIV. Mais de dois terços deles são atribuíveis às mudanças
climáticas de origem humana, segundo o estudo.

Para calcular esse valor, os pesquisadores calculam a diferença entre os óbitos 
por calor coletados pelos Estados e aqueles que teriam ocorrido em um cenário estimado
de “ausência de mudanças climáticas”, precisou o professor Ollie Jay, da Universidade
de Sydney.
 “Sempre há períodos de forte calor, mas sua intensidade e sua frequência
são amplificadas pelas mudanças climáticas de origem humana, por isso observamos
mais mortes do que teríamos tido” sem isso, explicou. O aquecimento também impacta
a economia mundial ao reduzir a produtividade dos trabalhadores. Segundo os pesquisadores,
nos últimos três anos o custo foi de um trilhão de dólares por ano. As regiões mais
afetadas são o sudeste asiático e a África, com perdas equivalentes a 3,9% e 3,2%
de seu PIB, respectivamente, frente a 0,2% para a Europa e 1,5% para o continente
americano. “Progresso real” No entanto, desde 2016 foram realizados “progressos 
reais”: 56 dos 194 países membros da OMS adaptaram seu sistema de saúde e foram 
estabelecidos sistemas de alerta que antecipam os fenômenos extremos. Além disso,
os investimentos em energias limpas alcançaram 2,1 trilhões de dólares em 2025, 
o dobro do destinado aos combustíveis fósseis. No entanto, estes ainda representam
80% da energia mundial e causam uma poluição atmosférica que provoca “2,73 milhões
de mortes por ano”. Mas em 77 países onde a poluição vinculada às energias fósteis
foi reduzida desde 2016, cerca de 323.000 óbitos foram evitados, destaca o relatório.“
Um ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e dispositivos de alerta (…)
salvam vidas em todo o mundo”, afirmam seus autores.

Também cresceu, até se multiplicar por sete, o financiamento para pesquisas médicas
relacionadas ao clima.
 Mas 84% dos 316 milhões de dólares destinados em 2024 foram
para pesquisadores de países ricos, quando são os países menos desenvolvidos os 
mais afetados pelas ameaças sanitárias vinculadas ao clima. “Muito lentos, muito
modestos”, os esforços realizados “não beneficiam aqueles que mais precisam deles”,
afirmou Romanello. E há dois anos, “a instabilidade geopolítica mundial relegou 
o aquecimento e seu impacto na saúde para um segundo plano”, justo quando “a inação
corre o risco de exacerbar essa instabilidade”, lamentou.
