# Parlamentares dos EUA cobram Meta por tratamento desigual a Lula

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- Published: 2026-10-27T12:19:44-04:00
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Uma carta assinada por 13 parlamentares democratas dos Estados Unidos cobra explicações
de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, sobre denúncias de tratamento desigual às campanhas
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa
durante as eleições presidenciais brasileiras de 2026. Enviada em 22 de outubro,
a carta ocorre em meio a denúncias de restrições a conteúdos políticos, redução 
de alcance de publicações e diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência
artificial, episódios que levantaram suspeitas sobre a atuação de empresas estrangeiras
no processo eleitoral brasileiro.

Entre os signatários estão o senador Bernie Sanders e os deputados Pramila Jayapal,
Greg Casar, Maxwell Frost, Jesús G. (conhecido como Chuy García), Jonathan L. Jackson,
Summer L. Lee, Mark Pocan, Mike Quigley, Delia C. Ramirez, Jan Schakowsky, Rashida
Tlaib e Nydia M. Velázquez. 

Os parlamentares afirmam estar preocupados com os diversos relatos que surgiram 
ao longo das eleições brasileiras de que as plataformas da Meta estariam restringindo
ou reduzindo a distribuição de conteúdos ligados à campanha de Lula, enquanto ampliavam
ou recomendavam publicações associadas a Flávio Bolsonaro e seus aliados. Segundo
os signatários, as diferenças de tratamento poderiam criar condições desiguais na
disputa eleitoral.

Entre os episódios citados está a desativação, em 23 de setembro, da conta de anúncios
da campanha de Lula no Facebook, 11 dias antes do primeiro turno. Embora a conta
tenha sido restabelecida após 24 horas, os parlamentares afirmam que a Meta não 
apresentou uma justificativa detalhada para a medida. A carta também menciona restrições
ao impulsionamento de anúncios da campanha no Instagram entre 9 e 10 de outubro,
que, segundo uma estimativa da própria campanha, teriam impedido cerca de 1,3 milhão
de pessoas de visualizar as publicações.

O documento cita ainda uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre comunicações internas
da Meta que indicariam que funcionários da empresa tinham conhecimento de recomendações
algorítmicas que promoviam o perfil de Flávio Bolsonaro e um canal do WhatsApp associado
à sua campanha, prática que é proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A carta também menciona um levantamento da organização Ctrl Z, divulgado pela **
Agência Pública**, que documentou mais de mil casos de restrições e banimentos nas
plataformas da Meta na primeira quinzena do mês. Entre os conteúdos cuja orientação
política pôde ser identificada, nove em cada dez eram favoráveis a Lula ou progressistas.
O levantamento registrou casos de perda de alcance, restrições às funcionalidades
de contas e remoção de publicações.

Os parlamentares dos Estados Unidos pedem que Zuckerberg esclareça quais medidas
foram adotadas, quais regras orientam a moderação de conteúdo político em eleições
estrangeiras e se a empresa mantém comunicações com integrantes do governo Donald
Trump sobre o Judiciário brasileiro, a regulamentação das plataformas e as eleições
de 2026.

O documento também questiona como a Meta pretende garantir que restrições automatizadas
às contas de anúncios dos candidatos sejam analisadas por pessoas em até duas horas.
Por fim, os signatários perguntam se a empresa permitirá que um auditor independente
examine dados internos de moderação e distribuição de conteúdo político relacionado
às eleições brasileiras.

Os parlamentares estabeleceram o dia 4 de novembro como prazo para o envio das respostas
por escrito, sem retorno até o momento de publicação dessa nota. 

## **Alertas da sociedade civil **

Para Luã Cruz, diretor de Litigância Estratégica da Ctrl+Z, os episódios reforçam
os alertas sobre os riscos de concentrar o debate político nas plataformas controladas
pelas Big Techs. “A sociedade civil brasileira de direitos digitais tem alertado
há anos sobre o problema de deixar todo o sistema de discussão política pública 
dentro de ferramentas que são controladas por empresas estrangeiras. As eleições
mostraram isso justamente por ser um momento delicado”, afirma.

Segundo Luã, as denúncias reuniram evidências de diferentes formas de interferência,
desde anúncios com desinformação e pagamentos em moeda estrangeira até o descumprimento
de regras eleitorais e a derrubada de conteúdos progressistas: “Isso reforça de 
maneira mais aguda que a gente não pode depender delas”, diz.

O diretor ressalta que as plataformas continuam sendo importantes para a comunicação
política – “Não é à toa que o canal dos Janones ajudou incrivelmente a campanha 
do Lula” – mas defende que o país desenvolva alternativas para reduzir a dependência
desses serviços.

Outro episódio destacado é o funcionamento da Meta AI, assistente de Inteligência
Artificial da Meta no WhatsApp. O Núcleo Jornalismo reproduziu testes em que a ferramenta
se recusava a criar imagens com referências a Lula, ao PT e ao número 13, mas atendia
a comandos equivalentes relacionados a Flávio Bolsonaro, ao PL e ao número 22. A
Meta reconheceu a falha e afirmou ter adotado medidas adicionais para impedir a 
geração de imagens de candidatos, inclusive quando os comandos usavam apenas o primeiro
nome e o número eleitoral. A organização Ctrl+Z também apresentou uma denúncia formal
à Corregedoria da Justiça Eleitoral sobre a diferença de tratamento. 

A carta dos parlamentares norte-americanos também menciona a ocorrência, com base
em reportagem publicada por Mônica Bergamo em 14 de outubro, que apontou diferenças
na geração de imagens favoráveis aos dois candidatos. As denúncias levaram o TSE
a determinar que a Meta garantisse tratamento igualitário às candidaturas. 

Na decisão, porém, o ministro Marco Aurélio Bellizze afirmou que, embora houvesse
indícios de falha na ferramenta, não havia elementos suficientes para concluir que
ela decorreu de um critério deliberado ou que ocorreu de forma sistemática. 

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais realizam protesto em frente
à sede da Meta , na avenida Faria Lima,3732, para denunciar o que consideram interferência
sistemática da big tech na eleição brasileira

## **Ministério Público acionou a Justiça**

As denúncias também motivaram medidas do Ministério Público Federal (MPF). A **Agência
Pública** relatou que o órgão adotou iniciativas para tentar impedir bloqueios de
contas e restrições de alcance considerados indevidos nas plataformas da Meta.

Na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, o MPF ajuizou uma ação civil pública com
pedido de urgência para impedir decisões de bloqueio de conteúdo baseadas exclusivamente
em algoritmos e exigir que reavaliações e recursos sejam analisados por equipes 
humanas especializadas. O órgão também pediu a possibilidade de aplicação de multa
diária de R$ 500 mil por conta afetada em caso de descumprimento.

Em outra frente, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) encaminhou
uma recomendação extrajudicial à Meta, cobrando providências de transparência e 
proteção à liberdade de expressão durante o período eleitoral. A empresa recebeu
prazo de 48 horas para informar se acataria as recomendações e de 30 dias para apresentar
um relatório conclusivo.

As medidas foram motivadas por denúncias apresentadas pelas organizações Ctrl+Z,
Artigo 19, Conectas e Sleeping Giants Brasil. Entre os casos relatados estão suspensões
de contas e restrições a conteúdos políticos favoráveis a Lula e contrários a Flávio
Bolsonaro. A apuração também identificou casos de perfis e publicações removidos
sob acusações de terrorismo e nudez, sem que houvesse conteúdo que justificasse 
essas classificações.

O MPF considerou genéricas as respostas apresentadas pela Meta e apontou que a empresa
não esclareceu individualmente os motivos das restrições nem detalhou todos os casos
de suspensões e remoções questionados.

Na avaliação de Luã, a reparação dos usuários afetados deve ser uma das prioridades
na responsabilização da empresa. O diretor também defende a abertura de dados sobre
a moderação de conteúdo e a aplicação de multas proporcionais à dimensão das plataformas.

“Além de você reparar o dano para o consumidor como um todo, tem que ter a abertura
dos dados para a gente entender o tamanho do estrago. E, a partir disso, ver o terceiro
ponto que é a multa. Tem que multar pesado. Essas empresas são as mais ricas da 
história do capitalismo e elas precisam ser responsabilizadas à altura”, diz.

Big Techs interferem no debate político e reforçam a necessidade de reduzir a dependência
de suas plataformas, segundo especialista

## **Comitê de Supervisão aponta falhas de moderação**

O Comitê de Supervisão da Meta também apontou falhas na aplicação das regras de 
moderação durante as eleições brasileiras. O colegiado criticou as restrições técnicas
impostas às contas de anúncios de Lula e considerou que houve aplicação excessivamente
rigorosa das políticas antifraude da empresa.

O comitê avaliou que o caso deveria ter sido encaminhado a uma equipe interna de
especialistas, além de destacar que erros de moderação durante períodos eleitorais
podem ocorrer tanto pelo excesso de rigor, que restringe manifestações políticas
legítimas, quanto pela aplicação insuficiente das regras, que pode comprometer a
integridade eleitoral. E cobrou mais transparência e consistência nos procedimentos
de moderação e recomendou a criação de indicadores públicos que permitam avaliar
a eficácia das medidas adotadas pela empresa, incluindo suas principais falhas.

A manifestação retoma preocupações sobre a atuação da Meta em eleições anteriores
em outros países, inclusive nos EUA, e a necessidade de mecanismos que permitam 
avaliar os resultados de suas políticas de moderação. Embora a empresa divulgue 
dados gerais sobre anúncios e contas removidas, o comitê apontou limitações nas 
métricas públicas disponíveis para medir a efetividade dessas políticas.

## **TSE cobrou tratamento igualitário**

O TSE determinou, em 15 de outubro, que a Meta oferecesse tratamento igualitário
aos dois candidatos. Em 19 de outubro, diante do que o tribunal considerou descumprimento
da decisão, a multa aplicada à empresa foi dobrada.

No dia seguinte, a Meta declarou ter concluído a implementação de 17 iniciativas
para cumprir a determinação, incluindo um mecanismo de revisão humana das contas
de anúncios das campanhas presidenciais.

Os episódios também evidenciaram limitações na atuação das instituições brasileiras
diante das plataformas, aponta Luã. “Não foi uma questão de falta de instrumento
jurídico ou até mesmo falta de conhecimento, por exemplo, da sociedade civil ou 
da população brasileira sobre o que estava acontecendo. Faltou ao TSE atuar de maneira
diligente”, afirma.

Segundo o diretor, a sociedade civil alertava para os problemas desde março, quando
foram publicadas as resoluções eleitorais sobre tecnologias. 
