# Crise climática: danos à saúde Exigem emergência global

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- Published: 2026-10-28T07:20:07-04:00
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O avanço das mudanças globais no clima tem provocado prejuízos cada vez maiores 
e acelerados à população mundial. Mesmo com acordos internacionais firmados para
tentar conter o aquecimento do planeta, os danos superam a capacidade de resposta
da comunidade internacional, segundo um levantamento publicado na revista científica“
The Lancet”.

Alerta da ciência e dados de mortalidade O levantamento aponta que as altas temperaturas
estiveram ligadas a cerca de 710 mil óbitos em 2023, estabelecendo o patamar mais
alto já registrado para um único ano. Desse montante, 71,5% foram causados pelas
interferências humanas no clima.

Diante desse cenário, cientistas que integram o Lancet Countdown — iniciativa com
mais de 140 pesquisadores e apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) — recomendam
que o aquecimento global seja tratado formalmente como uma crise sanitária de proporções
mundiais.

“Uma década após o Acordo de Paris, nossas conclusões são inequívocas: os danos 
das mudanças climáticas à saúde estão crescendo mais rapidamente do que a resposta
mundial a eles e, em muitos casos, estão até se acelerando”, afirmou Marina Romanello,
diretora-executiva do Lancet Countdown.

Eventos extremos e reflexos no Brasil Entre 2016 e 2023, o calor resultou em uma
média anual superior a 540 mil mortes. Em 2023, esse índice ultrapassou individualmente
as estimativas de óbitos causados por enfermidades como malária e HIV.

Especialistas reforçam que o fenômeno intensifica condições cardiorrespiratórias
preexistentes. No Brasil, o cenário reflete essa tendência através de secas prolongadas,
enchentes e ondas intensas de calor.

“A conclusão é preocupante e consistente com o que observamos no Brasil. O relatório
da Lancet Countdown mostra que os riscos climáticos para a saúde estão se agravando”,
afirmou ao g1 Christovam Barcellos, pesquisador sanitarista da Fiocruz.

Além do impacto imediato de tragédias como a enchente no Rio Grande do Sul e a estiagem
na Amazônia, o pesquisador aponta que há lacunas na medição de consequências a médio
prazo, a exemplo de surtos de infecções e agravamento de doenças crônicas.

Desafios nos sistemas de saúde e combustíveis fósseis O estudo aponta ainda que 
as secas atingiram mais da metade das terras do planeta em 2025, enquanto temporais
afetaram quase 18% das áreas terrestres anualmente na última década.

Embora mais nações tenham adotado planos de adaptação sanitária e o investimento
em energias renováveis tenha batido recorde, o financiamento para países em desenvolvimento
ainda é escasso. O mundo segue dependente de combustíveis fósseis, que respondem
por mais de 80% da matriz energética global e geram milhões de mortes anuais devido
à poluição do ar.

“As mudanças climáticas são uma das maiores ameaças à saúde enfrentadas pela humanidade.
Seus impactos já podem ser observados no agravamento do estresse térmico, dos eventos
climáticos extremos, da insegurança alimentar e das doenças”, afirmou Tedros Adhanom
Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Para reverter o quadro, especialistas defendem o reforço de investimentos no Sistema
Único de Saúde (SUS), integração de políticas públicas e corte efetivo nas emissões
poluentes.
