# Funk de direita: políticos conservadores usam ritmo nas eleições

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- Published: 2026-10-28T06:49:59-04:00
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Durante a disputa eleitoral de 2026, candidatos conservadores adotaram jingles no
estilo **funk** para dialogar com o eleitorado jovem e buscar engajamento nas plataformas
digitais. A tática, contudo, falhou em atrair os principais expoentes do ritmo musical
e acabou gerando acusações de incoerência política.

## Apropriação cultural e atos de campanha

Figuras públicas como Eduarda Campopiano (PL), Nikolas Ferreira (PL), Lucas Pavanato(
PL) e Flávio Bolsonaro incorporaram o ritmo em comícios e eventos públicos. No dia
do segundo turno, em 25 de janeiro, o Spotify registrou que seis das 50 faixas mais
executadas no país eram dedicadas a apoiar o candidato liberal à presidência ou 
a criticar Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As adaptações musicais dominaram as caixas de som de apoiadores. Um dos trechos 
mais populares trazia o verso “Quem ficar parado é petista disfarçado”, estimulando
a mobilização popular. Em Vitória (ES), Flávio Bolsonaro chegou a dançar sobre um
trio elétrico ao lado de aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

## Contradições e o histórico da CPI dos Pancadões

A adoção do gênero gerou atrito com discursos anteriores de parlamentares de direita,
que frequentemente associam o estilo à chamada narcocultura, definida como o conjunto
de valores ligados ao tráfico de drogas. Para contornar as críticas, esses políticos
passaram a argumentar que a oposição não é direcionada ao estilo musical em si, 
mas às letras e aos eventos de rua nas comunidades.

Em São Paulo, o episódio ganhou contornos marcantes com Lucas Pavanato, que comemorou
sua vitória para a Câmara dos Deputados ao som de funk. Anteriormente, na função
de vereador paulistano, ele atuou como relator da CPI dos Pancadões, comissão que
investigava a perturbação do sossego e bailes irregulares.

O relatório final da comissão classificou os bailes como “espaços de difusão e normalização
da chamada narcocultura”. Nomes como MC Ryan SP e MC Dricka prestaram depoimento
na ocasião e protestaram contra a forma estigmatizada com que a cultura funk foi
tratada pelos parlamentares.

## Polarização e o posicionamento dos artistas

Historicamente apolítico desde a sua ascensão nos anos 2010, o funk paulista viu
sua relação com a política institucional mudar drasticamente ao longo dos anos. 
A primeira aproximação ocorreu quando Rodrigo Oliveira, fundador da GR6, candidatou-
se a vereador em São Paulo, obtendo pouco mais de oito mil votos e ficando de fora
da Câmara.

Nas disputas presidenciais de 2018 e 2022, o cenário polarizou a classe artística.
Em 2022, grandes nomes e empresários do setor, como Konrad Dantas (Kondzilla), encontraram-
se com Lula e manifestaram apoio ao petista.

Dois anos depois, no entanto, o panorama mudou. Enquanto Ricardo Nunes buscou aproximação
com a indústria ao visitar a GR6 — recebendo apoio de figuras como MC Ryan SP e 
Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, da Love Funk —, Pablo Marçal também angariou
apoio no meio musical para impulsionar sua comunicação com a juventude.

A aliança de líderes do funk com a direita provocou reações intensas de outros artistas
e do público, resultando em um alinhamento de grande parte dos funkeiros com Lula
ou na adoção da neutralidade em 2026, com nomes como MCs Hariel, Tuto, PH e IG, 
sem que isso impedisse o uso livre das batidas pelos conservadores.

## Defesa da liberdade criativa e reações internas

Do ponto de vista dos defensores da estratégia, o uso do ritmo é defendido com base
na liberdade artística. Pavanato afirmou que Pavanato, por exemplo, afirmou que “
o problema com o funk, por óbvio, é a letra, não o ritmo”.

Por outro lado, o uso político das canções também encontrou resistência dentro do
próprio espectro conservador. Renan Santos, que já associou o ritmo a práticas de“
narcoterroristmo”, criticou a investida dos candidatos da direita. Segundo ele, “
As pessoas viam esses vídeos, viam essas músicas, e não queriam isso para elas. 
As pessoas viam o Pavanato dançando e achavam mais repugnante que um petista clássico.
Soa muito escroto.”
