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Pesquisa de 20 anos confirma: cuidadores se sacrificam no mundo todo
saúde e bem-estar

Alzheimer e Doenças Crônicas: cuidadores Sofrem em Silêncio

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24 de setembro de 2026 2 Min Read
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Uma abrangente revisão científica de 20 anos, que analisou dados de mais de 80 mil indivíduos, joga luz sobre a imensa carga de sacrifícios enfrentada por quem cuida de entes queridos. O levantamento demonstra que, embora a maioria reconheça a necessidade de suporte psicológico, o recurso a esses serviços é extremamente raro.

Radiografia da pesquisa internacional

O trabalho acadêmico foi conduzido por especialistas das universidades australianas de Sydney e Queensland, tendo sua publicação veiculada no periódico científico Psychology & Health. Para o desenvolvimento do artigo, a equipe mapeou publicações científicas sobre a temática desde 2005.

Ao todo, foram identificados 29 estudos pertinentes que somaram 81.167 participantes dedicados a enfermos com patologias físicas crônicas em nações como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e territórios europeus. O perfil predominante foi o de mulheres que prestavam assistência aos seus parceiros diagnosticados com câncer.

O peso invisível da rotina

“Os cuidadores tendem a colocar as necessidades da pessoa de quem cuidam antes das suas próprias”, explicou Hannah Isaac, autora principal e integrante do grupo de pesquisa em psico-oncologia da Universidade de Sydney. “Além disso, muitos não se identificam com o rótulo de cuidador, por entenderem que esse trabalho significa prestar assistência 24 horas por dia, sete dias por semana. No entanto, o cuidado costuma abranger tarefas comuns e diárias, como comparecer a consultas, dar suporte em tratamentos, assumir afazeres domésticos ou oferecer apoio emocional”, acrescentou.

Apesar de expressarem o desejo por auxílio para lidar com sentimentos de culpa, incertezas e o luto, os dados mostraram um comportamento recorrente: a abstenção na busca por aconselhamento ou grupos de apoio. De forma alarmante, os indivíduos encarregados de pacientes em condições mais críticas foram justamente os que menos recorreram a esse suporte.

Falhas sistêmicas na saúde pública

“Isso é reflexo de modelos de assistência médica excessivamente focados no paciente. Os sistemas de saúde dependem de que os cuidadores assumam uma carga imensa em casa, mas raramente oferecem amparo quando essa função compromete o bem-estar deles”, analisou a coautora Rebekah Laidsaar-Powell, professora de psicologia.

O estudo pontua que os obstáculos para o autocuidado englobam restrições financeiras e barreiras logísticas, a exemplo da ausência de substitutos para que o cuidador consiga se ausentar rumo a uma consulta. Os autores defendem que as políticas públicas reformulem o acesso à assistência psicológica para este público.

O impacto econômico e social no Reino Unido

Para mensurar a gravidade da situação em âmbito prático, dados recentes apontam que aproximadamente 1.500 cidadãos britânicos abandonam seus postos de trabalho diariamente para atuar como cuidadores não remunerados. Dados indicam que cerca de um milhão de pessoas pediram demissão nos últimos dois anos para amparar familiares.

O impacto atinge um em cada cinco profissionais ativos no país, totalizando 6,7 milhões de trabalhadores lidando com perdas financeiras e profissionais. Cerca de 22% enxugaram a carga horária, enquanto 34% passaram a cumprir menos de oito horas semanais. Além disso, 10% dos entrevistados recusaram ascensões profissionais ou migraram para funções com menor salário para viabilizar a rotina de cuidado.

Fonte: G1 Bem-Estar

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