Google vai dobrar infraestrutura no Brasil até 2030
O Google revelou recentemente planos ambiciosos para duplicar sua capacidade técnica no Brasil até o final da década. Mesmo com o avanço acelerado da inteligência artificial e a criação de novas políticas de incentivo fiscal, a empresa ainda mantém cautela sobre a construção de um novo campus de data center no país.
A demanda como motor dos investimentos
Durante uma coletiva de imprensa no Google Cloud Summit Brasil, executivos da companhia foram questionados sobre os próximos passos para a expansão física da empresa na região. A primeira reação do executivo veio em tom de brincadeira: “Eu perguntaria para você: por que você acha que o que nós temos hoje não é grande?”.
Na sequência, López explicou que o principal fator considerado pelo Google na hora de definir novos investimentos é a demanda. “Todo o nosso desenho de investimento tem a ver com a demanda”, afirmou o presidente do Google Cloud para a América Latina, destacando que a duplicação da capacidade atual reflete o uso crescente de ferramentas de IA pelas companhias nacionais.
O impacto do Redata e os incentivos fiscais
O cenário regulatório brasileiro passou por mudanças recentes com a sanção do Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter. A nova legislação reduz impostos sobre equipamentos essenciais para esses centros, mas impõe exigências rígidas, como a obrigatoriedade de destinar 10% da capacidade ao mercado interno e o uso exclusivo de energia limpa.
Sobre a medida, López avaliou que a nova política pode ajudar o setor: “Eu acho que o Redata ajuda bastante no que é custo operacional das infraestruturas, especialmente quando compramos componentes”.
Conectividade e cabos submarinos
Além do processamento local, a estratégia da empresa envolve a expansão da rede global de cabos submarinos, fundamentais para diminuir a latência e integrar o ecossistema brasileiro ao restante do mundo.
“Quando você fala de latência, quando você fala de soluções, são duas variáveis muito importantes: as infraestruturas — o data center — e a conectividade”, explicou.
A corporação já participou de importantes projetos de cabos na América Latina, como Firmina, Tannat, Curie e Humboldt. “Nós trabalhamos as duas coisas sempre: a conectividade, com os cabos submarinos que chegam ao Brasil, e nossa infraestrutura no Brasil para dar capacidade de processamento e soberania de dados aqui”, afirmou López.
Com foco em processamento local para ferramentas como o Gemini e a chegada de novas máquinas virtuais com tecnologia Nvidia a São Paulo, o Google prioriza a eficiência e o atendimento às demandas regulatórias antes de definir a abertura de novas instalações físicas de grande porte.
Fonte: Canaltech