Índios Kayapó arriscam a vida contra garimpo ilegal no Pará
Guerreiros da etnia Kayapó assumiram uma posição de extremo perigo para tentar paralisar as atividades de um garimpo ilegal situado na Terra Indígena Baú, localizada no sudeste paraense. A mobilização ocorre menos de dois meses após uma intervenção policial na região.
Avanço dos invasores na região Desde a última segunda-feira, 21 de setembro, o grupo interceptou a rota que conduz ao garimpo Pista Velha, nas proximidades do rio Curuazinho. Com a interrupção da via, os indígenas pretendem estrangular a cadeia logística que abastece a extração de ouro, atividade que tem atraído novos criminosos devido à alta lucratividade. Dados de organizações locais apontam que a população de garimpeiros quadruplicou em dois meses, alcançando cerca de 400 pessoas.
Tensão e armamentos pesados no território A atmosfera no local é de constante apreensão devido à presença de armamento pesado, incluindo ao menos quatro fuzis, o que levanta suspeitas sobre o envolvimento de facções do narcotráfico. Apesar do risco iminente de novos confrontos, os nativos declaram que permanecerão irredutíveis até que o Estado promova a expulsão dos intrusos. À reportagem, a Polícia Federal (PF) afirmou estar acompanhando a situação.
Histórico de conflitos na Terra Indígena Baú O problema com a mineração clandestina na área persiste desde 2019, gerando atritos constantes entre os Mebengôkre e os mineradores. Em julho, uma ação conjunta entre o Ibama e a PF destruiu acampamentos e maquinários, mas não atingiu o ponto principal do Pista Velha, resultando apenas em uma dispersão temporária dos infratores na reserva de 1,5 milhão de hectares.
“Diante da situação, a Polícia Federal segue atuando no acompanhamento da região e na adoção de medidas cabíveis para o enfrentamento de atividades ilícitas”, completou o órgão.
Conclusão e impacto ambiental Especialistas e levantamentos de institutos socioambientais mostram que a destruição florestal na área disparou nos últimos anos, acumulando centenas de hectares desmatados e ameaçando os recursos hídricos fundamentais para a sobrevivência das comunidades tradicionais da bacia do Xingu.
Fonte: Agência Pública