Eduardo Baptista no Inter: esquema tático e estilo de jogo
Anunciado oficialmente na última quarta-feira, o técnico Eduardo Baptista já comanda os treinamentos do Internacional no CT Parque Gigante. O comandante de 56 anos chega com a missão urgente de afastar o clube da zona de rebaixamento na reta final do Campeonato Brasileiro, contando com o período de treinos durante a Data Fifa para ajustar o time.
H2 Esquema com três zagueiros e solidez defensiva H3 Preferência tática do novo comandante
Ao longo de sua carreira, Baptista manteve como marca registrada a utilização de uma linha defensiva com três defensores. O sistema prioriza a proteção da área, o domínio das bolas aéreas e aproveita a bola parada como uma arma ofensiva importante. Quando o time perde a posse de bola, a estrutura se transforma em uma linha de cinco jogadores com o recuo dos alas.
O vínculo do novo treinador com o clube gaúcho vai até o encerramento da temporada atual. Antes de acertar com a equipe colorada, o técnico estava à frente do Criciúma desde maio do ano passado, onde deixou o time na sexta colocação da Série B.
– A principal característica de Eduardo Baptista é não abrir mão dos seus três zagueiros. Desde que chegou no Criciúma, e antes disso também, ele implementou esse esquema, que não abre mão em nenhum momento do jogo – afirma Manuela Silva, setorista do Criciúma no ge.
– Quando não tem essa possibilidade, ele recua um dos alas. Em seu último jogo pelo Criciúma, contra o Operário-PR, vimos isso. Ele tirou o Rodrigo (zagueiro) e recuou o Marcinho, que é lateral-direito, para a zaga. Nas partidas em que ele não tinha três bons zagueiros aptos para o jogo, improvisava um volante na zaga. O Marcelo Hermes (lateral-esquerdo) jogou muito como zagueiro com o Eduardo – acrescenta.
H2 Versatilidade no elenco e transições rápidas
Outra característica marcante do treinador é a capacidade de adaptar atletas em posições diferentes, algo fundamental para o momento do Colorado, que lida com limitações no grupo de jogadores. No Criciúma, por exemplo, o comandante utilizou meias de construção em funções mais avançadas pelas pontas.
– Um exemplo é o Filipe Matheus, meia de construção. Depois que voltou de lesão, foi utilizado mais avançado, como atacante pelo lado esquerdo. A mesma situação aconteceu com o meia Otero, que vem jogando de atacante pelo lado direito – explica Manuela.
H3 Estilo reativo e histórico recente
Nas passagens por clubes como o Novorizontino, onde trabalhou entre 2023 e 2025, o técnico consolidou um modelo de jogo baseado em transições rápidas e forte organização defensiva, batendo na trave pelo acesso à Série A nacional em temporadas consecutivas.
– Uma equipe que propõe o jogo precisa ter uma marcação muito forte para tirar o espaço do adversário e, quando tiver a bola, ter qualidade. Nós temos muita qualidade no meio-campo, alas e pontas com poder ofensivo. Temos que ter uma marcação forte, ser reativos sem a bola quando necessário, mas quando tiver a bola, chegar com bastante penetração e aumentar o número de atletas dentro da área – disse Baptista em sua apresentação no Beira-Rio.
O Inter precisa ganhar jogos. Se vai ser bonito ou feio, jogando propositivo ou reativo, o importante é o resultado final. Vim com muita fome e preparado.
– O time dele ficou marcado principalmente por transições rápidas e ataques muito efetivos. A equipe não ficava tanto com a bola, mas era um time reativo e que conseguia ter uma eficiência grande. Ele mudou o Novorizontino de patamar. Assumiu quando estava na segunda divisão do Campeonato Paulista, conseguiu o acesso e, por muito pouco, não conseguiu subir para a Série A do Campeonato Brasileiro – conta Arcílio Neto, repórter que acompanha o Novorizontino no ge.
Filho de Nelsinho Baptista, Eduardo iniciou a carreira na beira do campo em 2014 no Sport, acumulando passagens por diversas equipes do futebol nacional e títulos como a Série D pelo Mirassol em 2020, antes de assumir o desafio de salvar o Inter no Brasileirão.
Fonte: GE — Geral