Dilemas de Ancelotti crescem após empate ruim da Seleção
O empate por 1 a 1 com a Austrália em amistoso internacional deixou evidentes os velhos problemas da Seleção Brasileira neste início de preparação para 2030. A atuação abaixo das expectativas acendeu o alerta sobre a capacidade de Carlo Ancelotti em conciliar a necessária renovação do grupo com a exigência histórica por um futebol vistoso e dominante.
Os desafios táticos do comandante italiano
Definir uma identidade tática que garanta o controle das partidas e potencialize os principais talentos do futebol mundial continua sendo o maior obstáculo da comissão técnica. O time exibiu a mesma fragilidade no setor de meio-campo que havia marcado a eliminação na última Copa do Mundo, sofrendo para ditar o ritmo mesmo escalando uma base titular muito parecida com a que esteve no Mundial dos Estados Unidos.
A formação inicial com sete atletas experientes não evitou que o meio-campo ficasse sobrecarregado defensivamente. A necessidade de cobertura gerou espaços e transformou o confronto em Townsville em uma disputa aberta de ataques constantes.
A busca por paciência em meio à pressão
Questionado sobre o desempenho e os testes realizados, o comandante procurou amenizar as críticas após o apito final.
– Não é um sabor de derrota porque foi um empate. Acho que a equipe podia ganhar, tivemos oportunidades. Era difícil jogar neste campo, é verdade que depois que levamos o gol a equipe reagiu. Foi um empate merecido no final, temos que ser pacientes porque são testes que temos que fazer, dar oportunidades aos jogadores que jogam menos e seguir na frente porque era um teste e também o próximo vai ser outro teste – Ancelotti.
Do lado adversário, o autor do gol australiano também avaliou o confronto franco.
– Pra ser sincero, foi um jogo lá e cá, com chances para os dois lados. Foi bom ver que podemos competir contra o Brasil – definiu Irankunda, autor do gol australiano.
Novas alternativas para o próximo confronto
Para o segundo amistoso contra os australianos, marcado para a próxima terça-feira em Brisbane, o técnico antecipou mudanças estruturais na equipe, projetando um posicionamento mais equilibrado e a utilização de novas peças no setor central.
– Às vezes, jogaremos com o sistema de hoje (4-2-4) e podemos jogar também com três meio-campistas. Por isso são testes agora para provar.
A postura cautelosa adotada pelo treinador contrasta com o sentimento do torcedor, marcado por decepções recentes e pelo pior ciclo da história recente da equipe nacional entre 2022 e 2026. A urgência por respostas imediatas em campo choca-se com o discurso de longo prazo do comando técnico.
– Não é um início de um ciclo, é a continuação de um ciclo que começou ano passado e agora a prioridade é dar minutos aos jogadores que jogam menos, jogadores que têm potencial, como Endrick, Estevão e vamos seguir nesta linha. O torcedor tem que ser paciente e quando tivermos competições oficiais a equipe vai estar preparada.
Pressionado logo no começo deste novo momento, o Brasil volta a campo na próxima terça-feira, às 7h (de Brasília), para reencontrar a Austrália. Na sequência, a delegação segue para a Índia, onde enfrentará a seleção local em 3 de outubro.
Fonte: GE — Geral