Gestão de resíduos: 31,9% das cidades usam lixões
A destinação de resíduos sólidos urbanos continua sendo um dos maiores obstáculos ambientais e administrativos para a imensa maioria das prefeituras em território nacional. Mesmo com as diretrizes e prazos determinados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para o encerramento dos lixões, uma fatia expressiva de localidades segue ignorando as metas obrigatórias de tratamento e descarte correto.
O impacto dos lixões e do descarte irregular
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 31,9% dos municípios brasileiros ainda recorrem aos lixões para despejar os detritos coletados, prática severamente danosa ao meio ambiente.
Para além da destinação final nos aterros, o cotidiano das cidades revela falhas estruturais graves na limpeza urbana. “Quando olhamos para o lixo espalhado nas ruas, praças, córregos e terrenos baldios, percebemos que a situação vai muito além da destinação final. Na prática, é possível dizer que nove em cada dez cidades brasileiras ainda convivem com o descarte irregular. É um problema visível e diário”, afirma Márcio Welsh, diretor comercial da Contemar Ambiental, empresa especializada em conteinerização no Brasil.
Panorama nacional e índices de tratamento
As estatísticas do setor corroboram a gravidade da situação. O estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024 apontou que apenas 58,5% dos resíduos sólidos gerados no decorrer de 2023 ganharam um destino ambientalmente correto.
Isso revela que cerca de 41,5% de todo o volume produzido no país terminou em lixões ou em outras estruturas impróprias. Os números evidenciam que, embora a coleta regular de lixo atinja boa parte da população, a fase pós-coleta ainda falha em garantir a preservação ambiental.
Soluções práticas e casos de sucesso
Apesar do cenário adverso na gestão de resíduos sólidos no Brasil, algumas iniciativas têm se mostrado capazes de transformar essa realidade. A adoção da conteinerização, ou seja, a implantação de contentores padronizados e resistentes substituindo lixeiras improvisadas ou sacos soltos nas calçadas, tem sido apontada como estratégia eficaz em diversas cidades brasileiras.
Em Lençóis Paulista (SP), uma tese acadêmica demonstrou que a combinação de conteinerização e coleta mecanizada permitiu avançar no desenho de boas práticas para municípios. Já em Itabira (MG), um projeto-piloto com 124 contentores identificou uma redução de cerca de 35% no consumo de combustível e 85% menos acidentes no trabalho com a nova logística.
Esses exemplos reforçam que a conteinerização auxilia na organização do descarte, na logística reversa e na destinação adequada dos resíduos, além de evitar o espalhamento por intempéries ou animais, melhorando significativamente a aparência e a higiene das vias públicas quando implementada com planejamento e monitoramento eficientes.
Fonte: GLOBO