Alerj registra menor renovação política desde 2018
Apesar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ter enfrentado graves escândalos nos últimos anos, incluindo prisões de parlamentares e investigações por supostas ligações com o crime organizado, o eleitorado fluminense optou por preservar a maioria dos antigos ocupantes dos cargos para o próximo quadriênio. Do total de 70 assentos na Casa, apenas 28 foram ocupados por estreantes, o que equivale a 40% de renovação. O índice demonstra uma retração comparado aos pleitos anteriores, registrando 51% em 2018 e 45,7% em 2022.
Herança política e rostos conhecidos na Casa
Entre os novos integrantes do Legislativo estadual, destaca-se um grupo considerável de novatos que já carrega forte influência familiar na política. Pelo menos nove eleitos possuem laços de parentesco com figuras públicas conhecidas. Entre eles está Nelsinho Ruas (PL), vereador em São Gonçalo, que é filho do prefeito do município e irmão de um candidato a governo.
A lista de estreantes com conexões familiares também traz nomes como Fernanda Neves (PDT), esposa do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e Doutora Gabriela (PL), irmã do prefeito de Cabo Frio, Doutor Serginho. O cenário ainda conta com políticos tradicionais retornando ao parlamento, a exemplo do ex-presidente da Casa André Ceciliano (PT) e do ex-prefeito Márcio Canella (União).
Foco em pautas sociais e saúde pública
Com carreiras distintas antes de chegarem ao parlamento, os novos deputados já definem suas principais bandeiras de atuação. Doutora Gabriela, médica com três especialidades, pretende direcionar seu mandato para o setor da saúde pública, apontando deficiências na infraestrutura da Região dos Lagos.
“Com a eleição de meu irmão em 2024, a região perdeu representatividade na Alerj. E a gente precisa de parcerias com o governo do estado. Sempre fui médica do SUS, e um dos problemas de toda a Região de Lagos é a quantidade insuficiente de leitos públicos”, declarou a parlamentar eleita.
Já Fernanda Neves pretende expandir iniciativas bem-sucedidas de sua cidade natal para todo o estado fluminense.
“Sou servidora pública há 32 anos e dediquei minha carreira a políticas públicas em educação e nos direitos das mulheres. Na Alerj, quero trabalhar para que o estado inteiro tenha o que Niterói já mostrou que funciona e melhora a qualidade de vida da população”, afirmou Fernanda Neves.
Segurança pública e novos perfis na política
A área de segurança pública ganha reforços expressivos com a chegada de nomes ligados às forças policiais e militares. Entre os eleitos estão o coronel Menezes (PL), ex-secretário da Polícia Militar, o soldado Tobias (PRD) e o delegado Bernardo Leal (PP), que perdeu uma das pernas após ser baleado durante uma operação no Complexo do Alemão.
“Quero colaborar com políticas de Segurança para combater o crime organizado e retomar territórios, com a experiência de estar na PM há 36 anos. A insegurança gera reflexos em outras áreas, como Saúde e Educação”, pontuou o coronel Menezes.
O retorno de figuras experientes como Adilson Pires (PT) e André Ceciliano também marca a composição da nova legislatura. Ceciliano aposta na renegociação das dívidas do estado com a União para impulsionar investimentos sociais.
“A preocupação neste momento, como não poderia deixar de ser, é com Segurança e Educação. A margem fiscal criada com a renegociação das dívidas do estado com a União é uma oportunidade para novos investimentos nessas áreas”, avaliou.
Influenciadores e possíveis mudanças no Tribunal
O parlamento estadual também absorverá novas tendências de comunicação com a chegada de influenciadores digitais, como Felipe Tropa (PL) e Costenaro (Novo). Este último contou com o apoio expressivo do deputado federal mais votado do país, Nikolas Ferreira (MG).
Vale ressaltar que a configuração final dos 70 deputados divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral ainda pode sofrer alterações. Atualmente, existem sete candidaturas pendentes de julgamento, o que pode abrir espaço para novos nomes assumirem cadeiras no Legislativo fluminense dependendo das decisões judiciais futuras.
Fonte: GLOBO