Bancada das Bets: maioria dos aliados de apostas segue no Congresso
Uma proporção de 70% dos políticos identificados como integrantes ou aliados da informal Bancada das Bets continuará exercendo mandatos no Congresso Nacional até o ano de 2030. Doadores de visibilidade e defensores dos interesses das empresas de jogos online no legislativo obtiveram sucesso nas urnas recentes, enquanto outros nomes de peso do setor ficaram pelo caminho.
O desempenho eleitoral dos defensores das bets
Do total de 17 parlamentares apontados por articulações em favor do mercado de apostas, 11 conseguiram se eleger no último domingo (4). A lista de vitoriosos inclui figuras como Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Kim Kataguiri (Missão-SP), Weliton Prado (PSD-MG) com 129.366 votos, Adolfo Viana (PSDB-BA) com 119.865 votos, e João Bacelar (PL-BA) com 107.232 votos.
Outros nomes que renovaram seus mandatos foram Gabriel Mota (União-RR) com 10.195 votos, Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Entre os apontados como líderes da bancada, também garantiram novos mandatos Doutor Luizinho (PP-RJ), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Felipe Carreras (PSB-PE). Apenas Romário (PL-RJ) possui mandato garantido por mais tempo devido ao seu assento no Senado.
Derrotas e ausências no parlamento
Em contrapartida, alguns dos principais articuladores das casas de apostas não obtiveram sucesso. Ciro Nogueira (PP-PI) ficou na terceira posição na disputa pelo Senado com 24,68% dos votos. Ângelo Coronel (Republicanos-BA) somou 2.898.885 votos (20,11% dos válidos) e também foi derrotado. Além deles, Jorge Kajuru (PSB-GO) e Irajá (PSD-TO) decidiram não concorrer à reeleição.
Outros personagens influentes nos bastidores da regulamentação tiveram resultados mistos. Arthur Lira (PP-AL) deixou a Câmara após mais de dez anos e garantiu uma vaga no Senado com 946.970 votos. Rogério Carvalho (PT-SE) renovou seu mandato como senador com 509.608 votos, enquanto Efraim Filho (PL) perdeu a disputa pelo governo da Paraíba e Davi Alcolumbre (União-AP) manteve seu posto no Senado sem precisar disputar o pleito.
Posicionamentos oficiais dos citados
Sobre as acusações e o envolvimento com o setor, os parlamentares se defenderam por meio de notas oficiais divulgadas anteriormente.
Doutor Luizinho afirmou ser contrário aos aumentos de impostos e à extinção das plataformas de apostas online e negou ter recebido qualquer contrapartida de empresas do setor.
Felipe Carreras defendeu a regulamentação e a arrecadação sobre as apostas, além da legalização de cassinos, e negou as acusações de que atuaria em favor de empresas do setor.
Arthur Lira disse que, enquanto presidente da Câmara, manteve interlocução institucional com diferentes setores sobre a regulamentação das bets e que atuou no exercício regular de suas funções, sem vínculo particular com plataformas de apostas.
Rogério Carvalho, por sua vez, rejeitou a associação com interesses das casas de apostas e afirmou que seu histórico legislativo demonstra atuação em favor da regulamentação e do controle do setor.
Ângelo Coronel disse continuar favorável às apostas legalizadas e defendeu a regulamentação como forma de arrecadar recursos para o tratamento de pessoas com problemas relacionados ao jogo.
Fonte: Agência Pública