Rochelle Jordan estreia no Brasil no Zig Festival e fala de Beyoncé
A renomada artista canadense Rochelle Jordan desembarca no Brasil pela primeira vez para se apresentar no Zig Festival, evento que também traz ao país a americana Slayyyter e a dupla Haute & Freddy. Reconhecida por sua sonoridade que transita entre a música de pista sofisticada e o R&B underground, a cantora promete agitar o público paulistano com uma mistura autêntica de batidas eletrônicas.
A sonoridade vanguardista e a volta por cima
Com uma trajetória marcada por mixtapes lançadas ainda na adolescência e o aclamado disco de estreia “1021”, Rochelle enfrentou desafios contratuais e problemas de saúde que a afastaram dos holofotes por um período. O retorno triunfal aconteceu anos depois com o projeto “Play With The Changes”, consolidando sua assinatura musical baseada em inovações rítmicas e experimentações sonoras ousadas.
“Sempre estou ouvindo o que já foi para criar o que será. É assim que vejo as coisas”, disse a canadense.
A artista aponta que busca inspiração em nomes pioneiros e vanguardistas, mantendo uma postura destemida diante da criação artística.
Conexões com o pop global e o álbum Renaissance
O impacto de seu trabalho recente tem gerado repercussão internacional, incluindo convites para remixes especiais e comparações com grandes ícones da música pop. Embora mantenha cautela sobre os rumores de sua influência em produções de Madonna, Rochelle acredita que seu repertório ajudou a abrir portas e renovar o interesse pela dance music na cena contemporânea.
“Sinto que, na minha mente, o ‘Play with the Changes’ tocou muitas pessoas em termos de influência. Acho que há muito crédito para aquele álbum porque ele encorajou a mente da diáspora negra a entender que você pode ser um vocalista de R&B e contar uma história em cima de uma batida de drum and bass ou de house. Obviamente, se voltarmos a Cevin Fisher, Robin S, Corona e Crystal Waters, era isso o que eles faziam, mas isso se perdeu por um bom tempo.”
“Acredito verdadeiramente que o ‘Play with the Changes’ focou nisso e acordou grande parte da indústria. Então, quando ouvi o ‘Renaissance’ depois disso, pensei: ‘Será que [o meu álbum] tocou a Beyoncé?’ Possivelmente, ou pelo menos motivou a ideia. E não há nada de errado com isso, é lindo, porque é uma retomada desse som, já que as pessoas negras foram as que iniciaram o movimento house e disco. Então, pertence a nós tocá-lo”.
Expectativas para a estreia e carinho pelo público queer
O festival brasileiro acontece na principal balada LGBTQ+ de São Paulo, detalhe que ampliou ainda mais o entusiasmo da cantora canadense para o show deste sábado (10).
“Tenho que dar o meu melhor para as garotas!”, declarou.
“[Um queer event] é exatamente onde eu pertenço. A comunidade queer carrega tanta luz, tanta aceitação, e essa é a energia que eu quero por perto o tempo todo. Significa muito para mim saber que fui convidada para abençoar essas pessoas, iluminá-las e devolver essa energia. Porque boa parte da minha base de fãs é queer: são as drags, os gays, as garotas. Elas me erguem em seus ombros por causa do que minha música faz por delas. Então, isso soa incrível. Eu achava que estava no ápice da animação antes, mas agora subi para outro nível”.
Encontro com Liniker e paixão pela cultura local
Além de sua apresentação principal, a musicista de ascendência jamaicana planeja aproveitar a estadia para explorar a culinária nacional — que considera semelhante aos pratos caribenhos de sua infância — e estreitar laços com a cena musical brasileira.
Entre os encontros planejados está a artista nacional Liniker, a quem conheceu recentemente em solo europeu.
“Ela é uma vocalista maravilhosa, deslumbrante e uma artista excepcional. E está arrasando”, conclui.
Fonte: G1 Pop & Arte