Escudo das Américas: Amorim denuncia cerco contra o Brasil
O governo brasileiro elevou o tom contra a articulação internacional liderada por Washington na América Latina. De acordo com o diplomata Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, a iniciativa estratégica impulsionada pela Casa Branca busca estabelecer um bloqueio geopolítico e uma hegemonia total sobre o território brasileiro.
A articulação do bloco regional
A coalizão diplomática agrupa nações cujos líderes mantêm proximidade ideológica com o presidente norte-americano Donald Trump. Entre os signatários do pacto estão figuras como Javier Milei, da Argentina, Abelardo de la Espriella, da Colômbia, e Nayib Bukele, de El Salvador.
Recentemente, o bloco formalizou um entendimento para enquadrar organizações criminosas como ameaças transnacionais coletivas, abrindo margem para a aplicação de sanções econômicas e operacionais. A lista de alvos prioritários inclui as principais facções do crime organizado brasileiro, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Motivações e divergências na América Latina
Dentro da administração federal, a avaliação é de que o pacto representa um precedente perigoso e uma via para intervenções militares diretas no subcontinente. Enquanto aliados fiéis aderiram por afinidade ideológica, outras capitais latino-americanas teriam integrado a aliança em busca de vantagens econômicas ou para afastar o risco de pressões diretas dos Estados Unidos.
O impacto das barreiras comerciais
Além das questões de segurança, o governo brasileiro interpretou as recentes sobretaxas comerciais impostas ao país como uma tentativa de pressão política durante o calendário eleitoral nacional. As medidas punitivas abrangeram setores variados sob alegações contestadas por negociadores brasileiros.
“O tarifaço não foi uma medida econômica, tanto que eles tiveram que voltar atrás de algumas porque a própria Suprema Corte disse que eram ilegais. O tarifaço foi uma medida de intimidação. A gente procura tentar levar isso de uma maneira como se fosse para poder negociar alguma coisa, mas na realidade é uma medida de intimidação”, afirmou Amorim.
“É que o Lula e o Alckmin não têm medo de tarefas difíceis, eles enfrentam. Essa é a questão. E eles [EUA] querem alguém que se acomode e faça o que eles querem, pra ser um grande Porto Rico, com todo respeito ao povo de Porto Rico”, completou o assessor de Lula.
Fonte: G1 Política