Cruzeiro: assédio europeu e a situação contratual das joias
O protagonismo recente dos garotos formados e lapidados na Toca da Raposa colocou a diretoria celeste diante de uma encruzilhada estratégica: aproveitar o rendimento esportivo em campo ou capitalizar cifras expressivas no mercado exterior. Com metade do elenco composto por atletas com menos de 23 anos, o técnico Artur Jorge já indicou publicamente que a próxima janela de transferências deverá movimentar saídas importantes na equipe mineira.
Propostas recusadas e blindagem de Jonathan Jesus e Felipe Morais
Titular incontestável no sistema defensivo, o zagueiro Jonathan Jesus possui vínculo com o time celeste até 2029 e carrega um longo histórico de sondagens internacionais. Recentemente, a agremiação barrou uma investida de R$ 80 milhões apresentada pela Real Sociedad, da Espanha. Anteriormente, em dezembro, o Zenit, da Rússia, havia formalizado proposta de 8 milhões de euros, acrescida de 2 milhões de euros em metas (R$ 63,7 milhões na época), negociação vetada inclusive a pedido do técnico Tite durante as tratativas com Gerson. Atualmente, o defensor segue no radar do Benfica, Valencia, Betis e do consórcio BlueCo, administrador do Chelsea e do Strasbourg.
Outro ativo bastante cobiçado é o meia Felipe Morais, de apenas 18 anos. Formado na base cruzeirense desde os nove anos e com contrato também até 2029, o atleta teve uma oferta astronômica do Shakhtar Donetsk recusada pela gestão de Pedro Lourenço. O clube ucraniano acenou com 12,5 milhões de euros fixos (R$ 75,3 milhões) e mais 2 milhões de euros em bonificações (R$ 12 milhões). A quantia representaria a segunda maior transferência da atual administração — abaixo apenas dos R$ 84 milhões pagos pelo Como por Kaiki —, mas a cúpula preferiu manter a joia, que soma sete jogos e um tento pelos profissionais, por apostar em sua margem de evolução.
Renovações estratégicas: Otávio e Zé Lucas assegurados até 2031
Debaixo das traves, o arqueiro Otávio consolidou seu espaço ao assumir a meta principal durante a ausência médica de Cássio. O arqueiro já vinha chamando a atenção de clubes da Europa, com sondagens prévias do Eintracht Frankfurt e conversas adiantadas com o Nottingham Forest. Diante da rápida ascensão, o Cruzeiro agiu nos bastidores para estender seu contrato até 2031, garantindo estabilidade e poder de barganha.
O volante Zé Lucas vive cenário semelhante. Contratado junto ao Sport por aproximadamente R$ 26 milhões — negociação que deixou 60% dos direitos econômicos sob posse da Raposa —, o jogador assinou até junho de 2031. Ele já havia atraído concorrência ferrenha do Flamengo e de agremiações do Velho Continente antes de desembarcar em Belo Horizonte e balançou as redes pela primeira vez no time de cima diante do São Paulo.
Planejamento de mercado e o olhar da comissão técnica
Ao analisar a contribuição direta dos atletas no triunfo contra os paulistas, o treinador detalhou a gestão do grupo jovem:
“- (Felipe) É um jogador muito inteligente, percebe muito do jogo, daquilo que que o jogo pede, ainda tem os seus erros naturais da tenra idade, e está também mais forte fisicamente. O Zé é um jogador que nós também acreditamos. Nós temos um plantel com 50% de jovens jogadores abaixo de 23 anos. Portanto, é parte do trabalho e daquilo que é o processo para nós conseguirmos criar um elenco que ganhe, mas também que possa ganhar em termos daquilo que é a valorização individual de cada um dos seus atletas -” explicou Artur Jorge.
Apesar do foco em manter o alto nível competitivo nas competições da temporada, o comandante reconhece que a janela do meio do ano trará movimentações financeiras inevitáveis para os cofres do clube:
“- Sabemos que no final deste mercado nós vamos vender. Há jogadores que estão quentes para poderem ser, nesta altura, vendas importantes para o clube.”
Fonte: GE — Geral