Crise no Itabaiana: saídas na diretoria geram dúvidas para 2027
O Itabaiana enfrenta um momento de grande instabilidade em seus bastidores após a confirmação oficial da saída de três membros de sua diretoria na última quarta-feira. Deixaram os cargos o vice-presidente Fernando Alves e os diretores Alisson Brito e Netinho Mendonça, abrindo lacunas importantes na gestão do clube a pouco tempo do início da nova temporada.
A permanência da cúpula e o impacto das baixas
Apesar do desfalque na cúpula administrativa, o presidente Wilson Mendonça, conhecido como Galego — cujo mandato se estende até o final de 2027 —, e o diretor de futebol Gilberto Nunes continuam em suas funções. A diretoria que agora se despede foi a mesma que conduziu o clube a um ciclo histórico de crescimento, marcado pelo título do Campeonato Sergipano em 2023 (encerrando um jejum de 11 anos), pela conquista da Copa Governo do Estado em 2025 e pelo acesso à Série C em 2024, além de garantir a permanência na terceira divisão nacional no ano seguinte.
O revés esportivo de 2026 e a reação da diretoria
O cenário atual contrasta com o desempenho dentro das quatro linhas em 2026, ano em que o time acumulou resultados negativos. A equipe foi eliminada na semifinal do estadual, caiu na estreia da Copa do Brasil, despencou ainda na fase de grupos da Copa do Nordeste sem vencer nenhuma partida e terminou a temporada com o frustrante rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro.
Em entrevista coletiva realizada dois dias após o anúncio, o presidente Wilson Mendonça, o Galego reconheceu o impacto negativo dessas perdas, mas garantiu que o clube já trabalha para encontrar novos nomes. Sem adiantar possibilidades, o mandatário confirmou que está em conversas com outros profissionais para que o Itabaiana siga em frente.
Desafios estruturais e financeiros para o próximo ano
O ano de 2027 já se desenhava como um período desafiador devido às limitações financeiras e estruturais do clube. A permanência na Série C assegurava um calendário mais forte, mas a queda para a quarta divisão obriga o time a passar por um difícil processo de recuperação, que agora precisará acontecer simultaneamente dentro e fora de campo.
Essa não é a primeira vez que Wilson Mendonça precisa liderar uma reconstrução. Ele assumiu a presidência interinamente em junho de 2020, durante a pandemia, após o afastamento do então presidente Alberto Nogueira por gestão temerária e a renúncia coletiva de toda a diretoria em protesto, iniciando uma trajetória que agora chega ao seu oitavo ano no comando.
Planejamento sob pressão e a busca por reforços
A cerca de dois meses do início das atividades oficiais, a equipe ainda não conta com treinador ou reforços anunciados para o próximo ano. A reformulação interna é inevitável e, embora ainda haja margem temporal para ajustes, o planejamento sofre impactos diretos com a instabilidade administrativa.
A missão para 2027 será de total retomada. O Campeonato Sergipano ganha uma relevância vital para assegurar o calendário do ano seguinte, antecedendo uma Série D extremamente competitiva e desgastante, que oferece apenas seis vagas de acesso em meio a 96 concorrentes, tudo isso atrelado a uma necessária readequação financeira e a mudanças profundas no extracampo.
Fonte: GE Sergipe