Delegada casada com assassino de gari reassume cargo após 420 dias
A delegada Ana Paula Lamego Balbino retomou suas atividades na Polícia Civil de Minas Gerais depois de passar mais de 400 dias longe das funções oficiais. O retorno ocorreu após um longo período de afastamento motivado pelo envolvimento de seu armamento em um homicídio de grande repercussão no estado.
Retorno oficializado no Diário Oficial
A determinação que autoriza a volta da servidora foi veiculada no Diário Oficial do Estado (DOE). De acordo com a instituição policial, a medida concede à delegada um período de ajustamento funcional com duração de 90 dias, programado para estender-se de 7 de outubro até 4 de janeiro de 2027.
O afastamento original de Ana Paula aconteceu em 27 de agosto de 2025, logo após o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos. Naquela época, a autoridade policial acabou indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo, visto que a pistola utilizada pelo seu cônjuge no homicídio estava registrada em seu nome. Em depoimento, a delegada afirmou que nunca autorizou o marido a portar ou utilizar suas armas.
Investigação disciplinar e o crime
Mesmo com o retorno recente às funções, a conduta da policial segue sob escrutínio da corporação. A abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) ocorreu em abril do ano passado para apurar eventuais infrações administrativas cometidas por ela no decorrer do caso.
O crime que vitimou Laudemir de Souza Fernandes aconteceu em agosto de 2025, durante uma discussão de trânsito gerada pela breve retenção de veículos provocada pela coleta de lixo. Conforme as apurações conduzidas pelo Ministério Público, Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada, conduzia o automóvel portando a pistola de forma irregular.
Acusações contra o réu
A acusação aponta que, logo após os disparos, o empresário tentou fraudar a perícia técnica ao instruir a esposa a entregar somente uma das armas registradas sob sua titularidade, ocultando assim a peça usada na morte do trabalhador.
Como desdobramento das investigações, Renê virou réu sob acusações de homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de armamento, ameaça e fraude processual. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens do casal totalizando R$ 1,2 milhão, enquanto o processo caminha para o julgamento perante o tribunal do júri.
Fonte: Admin.cnnbrasil