Eduardo Bolsonaro brilha em gala da extrema direita nos EUA
Na noite de quarta-feira (14), empresários conservadores, influenciadores digitais e autoridades do governo dos Estados Unidos se reuniram no Andrew W. Mellon Auditorium, na capital Washington, D.C., para a festa de gala da Hispanic Heritage, organizado pela plataforma financeira Latino Wall Street. O grande homenageado da noite foi Javier Milei, presidente da Argentina, que contou com a presença de seu principal aliado brasileiro, Eduardo Bolsonaro, entre os convidados de honra.
Recepção e clima de celebração no tapete vermelho Ao chegar ao local, o deputado cassado foi cercado por admiradores com roupas brilhantes e smokings, que disputavam selfies e apertos de mão. Durante as abordagens, muitos questionaram sobre a situação de seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo prisão domiciliar após condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Outros interlocutores demonstraram otimismo com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para o primeiro turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Eduardo aproveitou para conversar com veículos ligados ao movimento MAGA, incluindo a correspondente da Casa Branca Cara Castronuova e o comunicador Javier Negre. Na entrada do evento, ele também protagonizou momentos de apoio espiritual com simpatizantes e foi tietado pela consultora Luciana Pananos.
Discursos, jantar de luxo e promessas políticas Enquanto o público saboreava iguarias como almôndegas de wagyu, pato defumado e filé-mignon após pagar ingressos que variavam entre US$ 3 mil e US$ 10 mil, o palco recebia discursos inflamados contra o socialismo. Após abraçar o deputado brasileiro, Javier Milei disparou: “Vamos expulsar o ditador comunista do Brasil”, momento em que Eduardo simulou chutes no ar. O argentino ainda enfatizou que os conservadores “não podem ceder um centímetro em nossa reconquista do hemisfério”.
Em seguida, o filho 03 de Jair Bolsonaro subiu ao pódio para discursar. Adotando o lema de Donald Trump sobre uma nova “era de ouro”, ele declarou: “Quando confirmarmos a vitória do meu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, como presidente do Brasil, vamos entrar em uma nova era, que eu chamo de Era de Ouro da América Latina!”. Ele ainda elogiou líderes como Nayib Bukele e declarou: “Amamos todos aqueles que dificultam a vida dos criminosos”, afirmando que “pela primeira vez veremos todos os países [da América Latina] combatendo o narcoterrorismo”.
Projeções internacionais e situação judicial Cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio, Eduardo acumula sanções no Brasil, incluindo mandado de expedição de prisão emitido por Alexandre de Moraes em outubro, além da perda de mandato por faltas e demissão da Polícia Federal. No entanto, no ambiente conservador americano, sua imagem é tratada com status de celebridade. Questionado sobre um possível retorno ao país, ele foi categórico: “Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”.
Acompanhado por figuras como o blogueiro foragido Allan dos Santos e conversando com lideranças da CPAC, como Matt e Mercedes Schlapp, o evento seguiu noite adentro com música latina e exibições de arte. Entre as obras expostas, uma pintura da artista Lena Ruseva representando a América Latina sob a bandeira dos EUA recebeu a assinatura de Eduardo com letras douradas, encerrando uma noite marcada pela forte sintonia entre a extrema direita brasileira e o movimento conservador norte-americano.
Fonte: Agência Pública