Famílias buscam desaparecidos após terremoto na Venezuela
O barulho ensurdecedor de máquinas pesadas domina o cenário entre os escombros nas áreas afetadas pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho. Para Eilyn Solano, a rotina é marcada por mais de cem dias de espera em uma tenda montada a poucos metros de torres residenciais que desabaram. Ela monitora o resgate de corpos na tentativa de localizar seu filho caçula, Jhoniel José Morales, de 11 anos.
Buscas independentes e falta de dados oficiais O balanço oficial mais recente, divulgado em 24 de agosto, apontava 6.509 mortes. Contudo, o governo não forneceu um número exato de desaparecidos quando consultado, o que levou os moradores locais a criarem suas próprias contagens e redes de apoio. Com a ajuda de vizinhos e familiares que fornecem suprimentos, os parentes de Jhoniel vasculharam fendas de edifícios e ajudaram a resgatar mais de 17 corpos.
Um segundo vídeo obtido pela família mostra o menino descendo as escadas momentos antes do sismo, o que renovou as esperanças e ampliou os rastreios para abrigos, hospitais, ruas e cemitérios entre La Guaira e Caracas. A tragédia atingiu severamente a família Solano, que também sobreviveu ao deslizamento em Vargas em 1999 e agora conta com o apoio de voluntários para manter as investigações por conta própria.
Novos relatos de angústia nos escombros Em outras regiões de La Guaira, o vazio e o silêncio predominam onde edifícios vieram ao chão, embora a presença militar tenha se tornado mais visível para a remoção de entulhos. No Residencias Caribe, moradores criaram quadros informativos manuais para estimar quem ainda permanece soterrado. É o caso de Nayibe Geromes, que procura pela mãe, Leida Mata, e de Angie Valentina Sojo Andarcia, que tenta localizar o marido.
Diante das dificuldades, organizações de direitos humanos como a Cofavic denunciam falhas graves na opacidade informativa e nos protocolos de identificação de corpos. Segundo relatos, familiares enfrentaram processos desgastantes de reconhecimento visual por meio de fotografias digitais sem apoio psicológico adequado.
Questionamentos e investigações em andamento A Defensoria do Povo afirmou que mantém canais de atendimento abertos para receber denúncias, registrar desaparecimentos e prestar orientações jurídicas por meio de equipes que atuam em acampamentos provisórios. Enquanto órgãos oficiais e organizações não governamentais divergem sobre os protocolos aplicados e o número real de vítimas — estimado por entidades independentes entre 10 mil e 20 mil —, o som das máquinas continua a ecoar.
Enquanto o cenário nas zonas devastadas passa por lentas transformações com a retomada de comércios e escolas, centenas de pessoas continuam mobilizadas dia e noite. Para esses familiares, a prioridade absoluta permanece a mesma: obter respostas definitivas sobre o paradeiro de quem ainda não foi encontrado.
Fonte: Admin.cnnbrasil