Morre Oswaldinho do Acordeon aos 72 anos, lenda da sanfona e do forró
O cenário da música nordestina perdeu um de seus maiores expoentes com o falecimento de Oswaldinho do Acordeon, ocorrido neste domingo, 25, aos 72 anos. O artista era amplamente considerado uma referência absoluta no manuseio da sanfona, deixando um legado de 60 anos dedicados à inovação e à valorização do instrumento no país.
Homenagens e repercussão no meio artístico A notícia da partida do músico foi divulgada publicamente por seu amigo e também sanfoneiro Rodolfo Forte, além do radialista Orlando Camboim. Até o momento, as causas do falecimento não foram divulgadas pelos anunciantes.
Personalidades da música brasileira rapidamente manifestaram pesar pelas redes sociais. “Adeus, mestre Oswaldinho do Acordeon. Você e sua música seguem em nossos corações”, lamentou Chico César ao repostar a notícia da morte do sanfoneiro. “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse país já conheceu. Vai fazer falta”, sentenciou o guitarrista Nelson Faria.
Raízes musicais e a convivência com os grandes mestres Nascido Oswaldo de Almeida e Silva em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, no dia 5 de junho de 1954, o cantor, compositor e acordeonista construiu uma sólida reputação fundamentada em sua técnica impecável. Ele era filho do célebre sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo, figura fundamental na difusão do forró em São Paulo, cidade para onde a família se mudou.
Crescer no ambiente artístico garantiu a Oswaldinho um convívio íntimo com lendas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, que frequentavam sua casa. Esse contato direto impulsionou o aprendizado autodidata do garoto, que mais tarde aprimorou ainda mais sua técnica com diversos professores especializados.
A consagração e a expansão das fronteiras do forró A carreira fonográfica de Oswaldinho começou de forma precoce. Aos nove anos de idade, em 1963, ele participou como convidado de um álbum de seu pai. Pouco tempo depois, aos 12 anos, lançou seu primeiro single, inaugurando uma trajetória de seis décadas.
Ao longo dos anos 1970, o artista consolidou sua discografia com discos importantes lançados por gravadoras como Tropicana e Copacabana, incluindo títulos como “Fantástico Oswaldo Silva”, “Só quero um xodó” e “Natureza”. Já em 1981, o disco “Forró in concert”, editado pela Continental, abriu as portas dos palcos e festivais europeus para o seu talento.
Oswaldinho destacou-se por ousar além das raízes tradicionais, mesclando o forró com jazz, blues, rock e música erudita. Essa versatilidade ímpar ficou evidente em trabalhos marcantes como o álbum “Cada um belisca um pouco”, lançado em 2004 ao lado de Dominguinhos e Sivuca, além de discos como “Asa branca blues” e “Forró chorado”.
Fonte: G1 Pop & Arte