Descongestionante nasal: riscos do uso contínuo e efeito rebote
O hábito de utilizar descongestionantes nasais de maneira contínua para solucionar a sensação de nariz entupido pode desencadear o chamado efeito rebote e piorar ainda mais a dificuldade respiratória.
Riscos e dependência química Fórmulas populares que contêm oximetazolina e nafazolina não devem ser aplicadas por um período superior a três dias consecutivos sem supervisão médica, sob o risco de provocar a chamada rinite medicamentosa, marcada pela inflamação crônica da mucosa.
“Esses medicamentos provocam a contração dos vasos sanguíneos da mucosa nasal, reduzindo temporariamente o inchaço e facilitando a respiração. Mas, quando utilizados de forma repetida e por períodos prolongados, podem causar o efeito contrário. O paciente volta a sentir o nariz entupido e acaba utilizando o produto com frequência cada vez maior”, explica o Dr. André Alencar.
Complicações sistêmicas do spray nasal Comercializados em apresentações como gotas, sprays ou comprimidos antigripais, esses fármacos, quando utilizados em excesso, vão muito além do desconforto local e provocam sérios problemas gerais no organismo.
Entre os efeitos colaterais registrados estão o aumento da pressão arterial, taquicardia, dores de cabeça, distúrbios do sono e agitação severa, existindo ainda o perigo de quadros mais críticos como convulsões e acidente vascular cerebral (AVC).
Investigando a raiz da obstrução A necessidade rotineira de recorrer a esses produtos sinaliza a presença de condições subjacentes como rinite alérgica, sinusite, desvio de septo, pólipos ou hipertrofia dos cornetos, exigindo uma investigação clínica aprofundada.
“Quando a pessoa precisa usar descongestionante todos os dias para conseguir respirar, é importante investigar a causa. Nem sempre o problema está apenas no medicamento. Pode existir uma doença de base que precisa ser tratada”, orienta o médico.
Como tratar o nariz entupido com segurança Sintomas como distúrbios do sono, respiração bucal e perda do olfato costumam acompanhar o quadro obstrutivo, cujas alternativas terapêuticas englobam desde a higienização com soro fisiológico e uso de fármacos específicos até intervenções cirúrgicas, sempre com suporte profissional para a interrupção dos vasoconstritores.
Para garantir a eficácia da aplicação quando liberada, os especialistas indicam lavar as mãos, assoar as fossas nasais e posicionar o jato longe do septo, mantendo a cabeça levemente inclinada para trás.
Debates e novas diretrizes médicas O diagnóstico e as inovações no manejo dessas patologias serão temas centrais no 56º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, agendado para ocorrer entre os dias 19 e 21 de novembro na cidade de Curitiba.
“O mais importante é não tentar resolver uma obstrução persistente apenas com medicamentos de alívio imediato. Precisamos identificar a origem do problema e oferecer um tratamento adequado”, conclui Alencar.
Fonte: Sergipenewsoficial