Em meio à discussão de medidas fiscais, Fazenda tem ‘caixa de ferramenta’ para lidar com estresse no mercado
O Ministério da Fazenda tem uma “caixa de ferramentas” para lidar com a volatilidade, se ela continuar significativa nos próximos dias. Em meio à expectativa dos agentes financeiros por uma sinalização mais austera do governo no âmbito fiscal após a reeleição surpreendente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o plano, por ora, é seguir monitorando os movimentos de mercado e atuar quando for necessário para evitar disfuncionalidade no pregão.
Antes de dar mais detalhes sobre os planos para o fiscal, a equipe econômica precisa bater com Lula as propostas. Nesta segunda-feira pós vitória nas urnas, o presidente se reuniu no Palácio do Alvorada com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, na noite desta segunda-feira pós vitória nas urnas para começar a tratar do tema.
O encontro também aconteceu após um dia de forte estresse no mercado financeiro. O Tesouro Nacional teve de intervir duas vezes no mercado de títulos públicos, que, ainda assim, registrou um aumento de mais de dois pontos nos vencimentos de médio e longo prazo devido a uma avaliação de que o governo Lula não deve fazer os ajustes necessários na gestão fiscal. O dólar também teve alta de mais de 8% e a queda na Bolsa superou 13% – o maior recuo diário desde 2020, suspendendo por um período as negociações devido à forte oscilação.
Além da intervenção do Tesouro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou à imprensa que o governo vai avançar no processo de revisão de despesas e vai buscar mecanismos para buscar o centro da meta fiscal. Ao GLOBO, Durigan disse ainda que a atuação do Tesouro busca dar racionalidade ao mercado neste momento. Segundo o ministro, ele conversou sobre o movimento com Lula e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para coordenação neste processo.
Nos próximos dias, o procedimento deve ser o mesmo. Monitorar desde o cedo o movimento dos ativos e agir se for necessário para manter a normalidade do funcionamento do mercado, tanto com leilões extraordinários do Tesouro quanto com declarações.
Os agentes ligados a instituições esperam uma sinalização mais firme do governo sobre quem vai comandar a economia no Lula 4 e, principalmente, quais serão as ações adotadas para colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável. O endividamento já subiu mais de 11 pontos desde 2023, quando o presidente voltou ao poder.
O plano deve envolver medidas para conter a trajetória de alta dos gastos e uma iniciativa para mirar o centro da meta fiscal durante a execução orçamentária. A meta estabelecida para 2027 é de superávit de R$ 73,2 bilhões, ou 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, eventuais contingenciamentos de despesas para garantir o cumprimento da meta, no entanto, levam em consideração o piso, que ano que vem é superavitário em R$ 36,6 bilhões.
Fonte: GLOBO