Nunes diz que 71% da frota de ônibus circulou em SP no segundo turno
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que 71% da frota de ônibus da capital paulista circulou no segundo turno das eleições, no domingo (25), apesar de uma decisão judicial determinar a operação de 100% dos veículos previstos para dias úteis. Segundo ele, 8.814 ônibus foram às ruas, de uma frota total de cerca de 12 mil. Nunes atribuiu a operação parcial ao curto prazo para mobilizar motoristas e outros funcionários das empresas concessionárias.
A Justiça Eleitoral determinou que a prefeitura e a SPTrans disponibilizassem 100% da frota operacional. A decisão, tomada na véspera da votação a pedido de parlamentares do PSOL, estabeleceu multa de R$ 100 mil ao prefeito e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento injustificado.
Segundo a prefeitura, o município foi notificado da decisão às 13h10 de sábado (24) e comunicou as empresas às 13h32. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), que reúne 13 empresas, afirma que suas associadas receberam a determinação às 13h59.
Em nota, o sindicato informou que as concessionárias convocaram os funcionários e suspenderam as folgas previstas para domingo assim que foram comunicadas. Segundo a entidade, todos os ônibus ficaram à disposição e saíram das garagens à medida que os profissionais compareceram para trabalhar.
Nunes afirmou que o intervalo entre a comunicação da ordem e o início da operação, à meia-noite, dificultou a convocação de trabalhadores. Além dos motoristas, segundo ele, era necessário mobilizar funcionários responsáveis pelas garagens, pela operação e pela fiscalização.
— Nós tínhamos poucas horas para mobilizar milhares e milhares de pessoas, nós e as empresas — afirmou o prefeito m coletiva de imprensa durante a assinatura de acordo com Ministério Público (MPSP) para uso do Smart Sampa.
A prefeitura havia planejado operar com cerca de 6,9 mil ônibus, como no primeiro turno, em 4 de outubro. A gestão municipal avaliou que a oferta prevista inicialmente seria suficiente para atender à demanda, mas que assim que recebeu a decisão, solicitou às concessionárias que colocassem 100% da frota nas ruas.
Durante o domingo, passageiros relataram dificuldades para encontrar ônibus e chegar aos locais de votação. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, afirmou que apenas cerca de 60% da frota prevista estava em circulação e acionou a Justiça Eleitoral.
A federação pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. O juiz eleitoral negou o pedido por considerar que não havia elementos concretos suficientes para caracterizar flagrante.
Nunes contestou as reclamações e afirmou que a oferta de transporte superou a demanda. Segundo ele, os ônibus ofereceram capacidade para transportar até 8 milhões de pessoas e levaram 3,2 milhões de passageiros no domingo. O prefeito disse que o número de passageiros foi semelhante ao do primeiro turno.
Vereador quer investigar operação
O vereador Nabil Bonduki (PT), presidente da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo, quer investigar a operação. O vereador pretende apurar os critérios usados pela prefeitura para definir a frota nos dois turnos e verificar se a oferta de transporte foi compatível com a demanda dos eleitores.
A investigação também poderá examinar os dados de circulação dos ônibus e a resposta da administração municipal à determinação judicial.
Fonte: GLOBO