Prêmio Goncourt exclui livro suspeito de uso de IA
O prestigiado Prêmio Goncourt decidiu desclassificar o romance do autor canadense Thélyson Orélien da sua famosa disputa literária nesta sexta-feira (25), após fortes suspeitas de plágio e emprego de inteligência artificial na obra.
Proteção à integridade artística
A exclusão do livro “C’était ça ou mourir” foi oficializada pela Academia Goncourt, responsável pela honraria mais importante das letras francesas. Os organizadores destacaram que a medida foi tomada porque Essa decisão “é ditada pelo desejo de preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da Academia, cuja função central é promover e celebrar a literatura escrita por mulheres e homens”.
Polêmica nas redes sociais e investigações
A controvérsia começou dias antes quando uma denúncia anônima na rede social X afirmou que o escritor de 38 anos teria gerado a maior parte do texto por meio de ferramentas tecnológicas. Posteriormente, novas denúncias apontaram cópias de conteúdos publicados no Canadá há mais de dez anos.
Para fundamentar a exclusão, a instituição literária analisou pareceres técnicos. A entidade declarou que se baseou nos “resultados convergentes de diversas análises realizadas por pesquisadores e jornalistas confiáveis, que demonstram que ‘C’était ça ou mourir’ é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial”.
Repercussão internacional e defesa do autor
Enquanto a editora Boréal suspendeu a divulgação da obra no território canadense, o criador permanece na França para compromissos de divulgação. Diante das acusações, o escritor afirmou que está “pronto para se pronunciar quando as coisas se acalmarem”. “Porque agora, de qualquer forma, existe esse desejo não só de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz […], de me silenciar.”
O ensaísta Samuel Fitoussi assumiu a autoria das denúncias iniciais feitas pelo perfil anônimo, explicando que a ação integrou um esforço conjunto. Justificando sua postura, ele argumentou: “Temo que, após vários milênios de uma civilização baseada na escrita, a IA cause o desaparecimento da leitura e da escrita”. O caso segue gerando debates profundos sobre o futuro da indústria editorial diante das novas tecnologias.
Fonte: G1 Pop & Arte