Calor extremo na gravidez aumenta risco de parto prematuro
O calor extremo intensificado pelas mudanças climáticas está diretamente ligado ao aumento de partos prematuros e casos de baixo peso em recém-nascidos, conforme alertou a Organização das Nações Unidas (ONU).
Impacto na saúde gestacional
Durante um fórum preparatório para a COP31 sediado em Fiji e Tuvalu, autoridades internacionais debateram a urgência de medidas contra o aquecimento global. O chefe de Clima da ONU, Simon Stiell, destacou dados alarmantes de pesquisas recentes que mostram que profissionais de saúde de cinco continentes registraram complicações severas devido às altas temperaturas nos últimos cinco anos.
“O calor extremo provocado pelo clima durante a gravidez está cada vez mais associado ao parto prematuro, à morte fetal, ao baixo peso ao nascer e a complicações maternas”, apontou.
Vulnerabilidade no Pacífico Sul
A região do Pacífico Sul enfrenta riscos severos devido ao avanço do nível do mar e ao branqueamento dos corais. Diante disso, a ministra do Clima de Fiji, Lynda Tabuya, cobrou que nações industrializadas financiem uma transição energética justa, oferecendo suporte financeiro aos territórios mais afetados.
Relatórios da ONU indicam que o aquecimento dos oceanos acelera o derretimento de geleiras e a elevação dos oceanos. Estima-se que até 2050 cerca de 1,2 bilhão de pessoas possam ser deslocadas, enquanto as ilhas do Pacífico encaram aumentos do nível do mar duas vezes superiores à média global. Nações em desenvolvimento demandam entre 310 bilhões e 365 bilhões de dólares para adaptação, mas contavam com apenas 26 bilhões de dólares em 2023.
Em declarações a jornalistas, Tabuya pediu “compromissos” dos países desenvolvidos para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para o abandono dos combustíveis fósseis. Mas não uma transição qualquer, e sim “uma transição justa”.
O ministro de Mudanças Climáticas da Austrália, Chris Bowen, que também preside as negociações para a COP31, disse que eles convocam o mundo a unir “ambição e ação”.
Desafios diplomáticos e presença reduzida
Apesar da relevância do evento preparatório, o fórum registrou uma adesão menor de líderes mundiais do que o inicialmente previsto pela organização. Entre os presentes estão autoridades de nações duramente atingidas por desastres climáticos, como o Nepal — que sofreu com inundações decorrentes do degelo no Himalaia — e Tuvalu, cujos atóis já enfrentam a submersão parcial.
O aumento do nível do mar “não é uma ameaça futura, é uma realidade presente”, declarou o primeiro-ministro de Tuvalu, Feleti Teo, na recente Assembleia Geral da ONU.
“A mensagem de Tuvalu é clara: o mundo deve agir já”, acrescentou ele, ao pedir uma ação urgente e coletiva “para proteger o futuro das gerações futuras”.
Enquanto isso, ONGs ambientais cobram posturas mais firmes de países desenvolvidos e exportadores de combustíveis fósseis na região.
“Ao se preparar para presidir as negociações da próxima COP31 em parceria com o Pacífico, a Austrália precisa fazer muito mais para transformar sua retórica em ações reais e acabar com a asfixia causada pelos combustíveis fósseis”, declarou Shiva Gounden, chefe do Greenpeace para o Pacífico.
Fonte: G1 Meio Ambiente