El Niño 2026: chance de ser o mais forte desde 1950 sobe para 83%
As projeções climáticas para o El Niño foram atualizadas, indicando que o fenômeno segue ganhando força no Oceano Pacífico e tem 83% de probabilidade de se tornar o mais intenso já registrado pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) desde 1950, considerando o período entre outubro e dezembro.
Evolução e intensidade do fenômeno climático
O atual episódio continua em trajetória de fortalecimento rumo ao seu pico nos próximos meses. De acordo com o novo boletim divulgado nesta quinta-feira (8), a expectativa é de que o evento se mantenha entre forte e muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027, mantendo o índice de probabilidade em mais de 83%. Na avaliação anterior, publicada em 10 de setembro, essa taxa de recorde histórico estava calculada em 75%.
O aquecimento das águas na região Niño 3.4, principal termômetro monitorado pelos cientistas, atingiu 2,1°C acima da média em setembro, superando os 1,8°C registrados no mês anterior. Para que o processo avance, a atmosfera também precisa responder com alterações nos ventos e na pressão, sinais que continuam presentes e confirmam a atuação conjunta entre o oceano e o ar.
O conceito de super El Niño
Embora o termo informal “super El Niño” seja amplamente utilizado, a NOAA adota categorias técnicas que vão de fraco a muito forte. O patamar considerado muito forte exige que a média trimestral atinja pelo menos +2°C.
A probabilidade de o índice alcançar ou superar +2,5°C no trimestre de pico passou de 75% para 83% na atualização recente. Contudo, os especialistas lembram que uma maior intensidade do evento não garante, por si só, proporções idênticas nos impactos locais de seca, chuva ou calor.
Consequências do El Niño no Brasil
O ciclo climático altera de forma desigual o clima em território brasileiro, interagindo com o aquecimento global para elevar as temperaturas globais. Os efeitos históricos esperados para o país incluem:
* Aumento expressivo do volume de chuvas na Região Sul * Redução drástica nas precipitações no Norte e em partes do Nordeste * Irregularidade na distribuição das chuvas no Sudeste e Centro-Oeste * Elevação na frequência de ondas de calor
Apesar da alternância natural entre as fases do ENOS — que engloba o El Niño e a La Niña —, pesquisadores reforçam que a base aquecida dos oceanos potencializa os episódios atuais, tornando os impactos ainda mais perceptíveis durante a primavera e o verão.
Fonte: G1 Meio Ambiente